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Conflito em Gaza: Ataque aéreo israelense mata cerca de 100 pessoas em complexo escolar

10 de ago. de 2024
4 min de leitura

O complexo que abrigava aproximadamente 6.000 deslocados foi atingido enquanto muitos se preparavam para as orações do amanhecer.


A imagem mostra o pátio de uma escola na Cidade de Gaza após um ataque aéreo israelense ocorrido no sábado, 10 de agosto de 2024 - Foto Reprodução / AP





O conflito entre Israel e o Hamas teve uma escalada dramática neste sábado (10), quando um ataque aéreo israelense provocou a morte de aproximadamente 100 pessoas em um complexo escolar em Gaza, de acordo com autoridades de saúde. O local servia como abrigo para civis deslocados, que buscavam fugir dos combates. O exército israelense admitiu que o alvo era a escola Tabeen, situada no centro de Gaza, afirmando ter atingido um centro de comando do Hamas dentro da instituição. No entanto, o Hamas refutou essa alegação.


As estimativas para o número de mortos variam entre 70 e 100. As autoridades de saúde de Gaza relatam mais de 90 mortes, enquanto o governo de Gaza, controlado pelo Hamas, afirma que o número ultrapassa 100. Em entrevista à BBC, o diretor do Hospital al-Ahli, para onde muitas das vítimas foram encaminhadas, afirmou que o ataque resultou na morte de pelo menos 70 pessoas.


O Ataque


O ataque ocorreu sem aviso prévio, nas primeiras horas da manhã, antes do nascer do sol, enquanto os fiéis rezavam em uma mesquita localizada dentro de uma escola, conforme relatado pelo gabinete de imprensa do Hamas. Mahmoud Bassal, porta-voz dos socorristas da Defesa Civil que atuam sob o governo local administrado pelo Hamas, informou que três mísseis atingiram o prédio de dois andares. O primeiro andar abriga a mesquita, enquanto o segundo é destinado à escola, onde cerca de 6.000 pessoas deslocadas estavam se abrigando da guerra.


O exército israelense informou que suas forças aéreas atingiram um centro de comando e controle do Hamas, que também servia como esconderijo para terroristas e comandantes do grupo. Aproximadamente 20 "militantes" estavam operando no local. A Força Aérea de Israel acertou com precisão o centro de comando do Hamas, que estava localizado na escola Al-Taba’een, ao lado de uma mesquita em Daraj Tuffah, uma área que serve como abrigo para os residentes da Cidade de Gaza. Segundo o exército israelense, antes do ataque foram tomadas várias precauções para minimizar o risco de danos a civis, incluindo o uso de munições de precisão, vigilância aérea e informações de inteligência.


Abu Anas, que participou do resgate dos feridos, contou à agência de notícias Associated Press (AP) que havia pessoas rezando, se lavando e dormindo no andar de cima, incluindo crianças, mulheres e idosos. O míssil atingiu-os sem aviso prévio, o primeiro e o segundo míssil. Eles foram encontrados em pedaços. O Dr. Fadel Naeem, diretor do hospital al-Ahli na Cidade de Gaza, informou à AP que a unidade recebeu 70 corpos e partes de corpos de pelo menos outras 10 pessoas devido aos ataques. Em uma entrevista à Al Jazeera, Naeem descreveu o sábado como "um dos dias mais difíceis".


“A situação no hospital é catastrófica, com uma grave escassez de suprimentos e recursos médicos devido ao horrível massacre israelense, que resultou em inúmeras amputações e queimaduras graves”, disse ele.

Atualmente, o ataque à escola de Tabeen resultou em um dos maiores números de mortos em um único incidente ao longo dos 10 meses de guerra entre Israel e o Hamas.


População de Gaza


As forças israelenses atacaram pelo menos 10 escolas desde o início de julho, incluindo quatro em um intervalo de quatro dias, o que tem contribuído para o aumento alarmante do número de mortos na guerra em Gaza, que já se aproxima de 40.000 vítimas. Israel responsabiliza o Hamas pelas baixas civis, alegando que seus combatentes utilizam a infraestrutura civil como escudo, tornando edifícios como escolas e hospitais alvos legítimos.


O Hamas nega essas acusações. Praticamente toda a população de 2,3 milhões de pessoas na Faixa de Gaza foi obrigada a abandonar suas casas, muitas vezes mais de uma vez, ao longo de quase um ano de conflitos. Escolas, em particular, têm sido usadas como abrigos. Segundo o serviço de defesa civil, três mísseis atingiram um prédio de dois andares, onde mulheres ocupavam o andar superior, enquanto homens e meninos utilizavam o térreo, que também servia como espaço para orações.


Repercussão


combatente". A Autoridade Palestina, com sede na Cisjordânia, também emitiu uma rara declaração sobre o incidente. Um porta-voz do presidente Mahmoud Abbas apelou aos EUA, principal aliado diplomático e fornecedor de armas de Israel, para que cessem o "apoio cego" que resulta na morte de milhares de civis inocentes, incluindo crianças, mulheres e idosos.


Josep Borrell, chefe da política externa da União Europeia, afirmou em uma declaração publicada no X (antigo Twitter): "Não há justificativa para esses massacres". O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, David Lammy, declarou estar "horrorizado" com o ocorrido. A Jordânia e o Egito também condenaram prontamente o ataque. O Ministério das Relações Exteriores do Egito declarou que a "matança deliberada" de palestinos por Israel evidencia a falta de vontade política para pôr fim ao conflito em Gaza.


Negociações


O Egito, junto com os EUA e o Catar, fez um apelo nesta semana para que Israel e o Hamas retomem as negociações com o objetivo de finalizar um cessar-fogo e um acordo para a libertação de reféns, enfatizando que não havia justificativas para mais atrasos. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que Israel enviaria uma delegação para as negociações, previstas para começar em 15 de agosto. Sua administração tem sido acusada de sabotar repetidamente as tentativas de cessar-fogo. Até o momento, o Hamas não respondeu, e não está claro se o mais recente ataque mortal influenciará a posição do grupo militante. Neste sábado, o Irã se juntou às condenações, classificando o ataque em Tabeen como "bárbaro" e um "crime de guerra".

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