Cientistas criam óvulos a partir de células de dois camundongos machos; Avanço para casais infeteis

Pesquisadores do Japão conseguiram criar camundongos com dois pais graças a uma técnica pioneira no mundo da reprodução. A equipe liderada pelo professor Katsuhiko Hayashi, da Universidade de Osaka, produziu os óvulos a partir de células-tronco masculinas, o que permitiu gerar embriões viáveis por meio da fertilização in vitro, técnica de reprodução assistida que consiste na união de um óvulo com um espermatozóide. A técnica consistiu em transformar as células da pele dos camundongos machos em células-tronco pluripotentes induzidas, capazes de se transformar em qualquer tipo de célula do corpo. Essas células foram, então, “tratadas” para se tornarem próximas das células germinativas femininas – aquelas que dão origem aos óvulos nos ovários.
Com essas células já modificadas, os cientistas conseguiram produzir óvulos artificiais, que foram fecundados com sucesso pelos espermatozoides dos machos. Os embriões resultantes foram implantados em fêmeas e geraram filhotes saudáveis que eram geneticamente diferentes dos seus progenitores, ou seja, as células são masculinas e, portanto, têm cromossomos XY. A equipe do professor Katsuhiko excluiu o cromossomo Y, duplicou o cromossomo X e juntou os dois X. Esse ajuste permite que a célula-tronco seja programada para se tornar um óvulo. Os detalhes foram apresentados na cúpula de edição de genes humanos no Crick Institute, em Londres, nesta quarta-feira (08). O professor Hayashi, um especialista globalmente respeitado na área, disse aos delegados na reunião que o trabalho estava em um estágio muito inicial. Os ovos, disse ele, eram de baixa qualidade e a técnica não poderia ser usada com segurança em humanos nesta fase.
Essa conquista tem grande potencial para ajudar casais inférteis, especialmente aqueles em que o parceiro não é capaz de gerar espermatozoides viáveis e em mulheres com síndrome de Turner, nas quais uma cópia do cromossomo X está ausente ou parcialmente ausente. Mas, apesar de ser uma notícia animadora, a criação de camundongos com dois pais ainda não significa que isso seja possível em humanos, segundo os próprios autores. O professor Hayashi também afirmou que não seria a favor de ser usado por um homem para criar um bebê usando seu próprio esperma e óvulos criados artificialmente.
"No entanto, hoje essa tecnologia não está disponível para uso humano, a segurança e a eficácia não foram comprovadas e não está claro quanto tempo a tecnologia levará para chegar à clínica. Ainda há muito a aprender sobre a linhagem germinativa humana e os fundamentos, as lacunas de conhecimento servem como uma barreira para traduzir esta pesquisa para os seres humanos."
Ele e seus colegas agora estão tentando replicar a criação de óvulos cultivados em laboratório usando células humanas, mas a técnica está muito longe da possibilidade de ser aplicada nos mesmos. Além dos obstáculos éticos, muitas outras coisas precisam ser resolvidas”, afirmou Qi Zhou à revista científica New Scientist. No entanto, a técnica pode ser aplicada futuramente em espécies que enfrentam problemas de conservação, permitindo a preservação de genes raros e a formação de populações mais diversificadas.



























