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Avanços na defesa do jornalismo profissional; Celebrando o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa

7 de jun. de 2023
3 min de leitura
O jornalismo profissional está enfrentando diversos desafios, como a polarização política e a disseminação de notícias falsas. No Brasil, organizações dedicadas à luta contra a violência, a censura e a pressão destacam várias formas de agressão direcionadas a esses profissionais.

Foto Reprodução / Internet



No dia 7 de junho, é celebrado o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa no Brasil. A data é importante para destacar a importância da liberdade de expressão e do jornalismo profissional para a democracia e a sociedade.


Luta do profissional de imprensa


Nos últimos anos, o jornalismo profissional tem enfrentado uma série de desafios, tais como a polarização política e a disseminação das notícias falsas. Organizações brasileiras que lutam contra a violência, a censura e a pressão de diversas formas destacam que esta semana também está marcada por dois eventos. Em primeiro lugar, completam-se 21 anos desde o assassinato de Tim Lopes em 2 de junho de 2002. Além disso, este ano marca o primeiro aniversário das mortes do jornalista britânico Dom Phillips e do ativista indigenista Bruno Pereira, ocorridas em 5 de junho de 2022.


A professora Katia Brembatti, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), expressa pesar diante da continuidade do tratamento violento, mesmo em governos progressistas. Ela enfatizou que a violência contra jornalistas é fruto de um processo construído e encorajado ao longo de muitos anos, não podendo ser transformada de um momento para o outro. Um exemplo recente ocorreu no dia 31 de maio, quando a jornalista Delis Ortiz, da TV Globo, foi agredida por um segurança no Palácio do Itamaraty durante uma cobertura da Cúpula dos Presidentes de Países Sul-Americanos.


A professora afirma ainda que o comportamento hostil em relação a jornalistas e cinegrafistas não se limita a indivíduos isolados, mas abrange todo o corpo de imprensa. Segundo ela, a violência não é dirigida pessoalmente a uma pessoa específica ou a uma reportagem em particular, mas sim contra a prática do jornalismo como um todo. É um ataque à imprensa em sua totalidade, destaca a profissional.


Nova forma de violência


Em 2019, a Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ), responsável por compilar casos de violência contra a imprensa no Brasil, registrou a identificação de uma nova forma de restrição. Samira de Castro, presidente da FENAJ, explicou que essa nova categoria foi atendida durante o governo anterior, liderada por Jair Bolsonaro. "O que observamos recentemente é que Bolsonaro criou essa nova forma de desacreditar a imprensa".


Segundo o presidente da Abraji, a maioria das agressões possui motivação política, buscando minar a confiança do público na imprensa tradicional e redirecionando-a para fontes estratégicas com interesses pessoais. "Essas podem ser estratégias de marketing político para desmoralizar a imprensa", explica um jornalista sobre uma das maneiras como os meios de comunicação são desacreditados.


Desafios


Nos últimos anos, também houve progressos reforçados na proteção do jornalismo profissional e na preservação da liberdade de imprensa. Um exemplo desses progressos foi a criação do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, no dia 17 de fevereiro deste ano, por iniciativa do Ministério da Justiça. Essa criação ocorreu em resposta aos atos de agressão sofridos por profissionais da imprensa durante os ataques terroristas realizados por radicais bolsonaristas em 8 de janeiro, na capital brasileira, Brasília.


A portaria que cria o observatório foi publicada no Diário Oficial da União. De acordo com o documento, o objetivo desse órgão será monitorar ocorrências envolvendo condutas violentas contra jornalistas e comunicadores sociais, além de fornecer apoio em cuidar desses casos e propor políticas públicas. Outro avanço importante foi a aprovação da Lei de Acesso à Informação, em 2011, que permite que qualquer cidadão solicite informações públicas aos órgãos governamentais. Isso é fundamental para a transparência e o controle social das ações do Estado.


Papel do profissional do jornalismo


A sociedade tem demonstrado cada vez mais apoio ao jornalismo profissional e à liberdade de imprensa. Em 2020, por exemplo, em meio à pandemia de Covid-19, a mídia brasileira teve um aumento significativo na audiência, com muitas pessoas buscando informações sérias e confiáveis sobre a doença.


Futuro


As organizações indicam que existem razões para ter perspectivas mais positivas, embora não haja garantia de uma contenção completa da violência. "Eu mantenho um otimismo baseado na vontade e um pessimismo fundamentado na razão. Acredito que o jornalismo continuará sendo uma necessidade social", afirmou Samira de Castro. Já Katia Brembatti ressalta a importância social dessa profissão ao expor as injustiças sociais e promover a justiça. "As pessoas precisam entender como o jornalismo faz parte da vida de todos".


É importante lembrar que a defesa do jornalismo profissional e da liberdade de imprensa ainda é um desafio constante. É necessário estar atento a possíveis ameaças e lutar pelas garantias de uma imprensa livre e independente. Neste Dia Nacional da Liberdade de Imprensa, celebremos os avanços alcançados e continuemos trabalhando juntos pela defesa do jornalismo profissional e da democracia.


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