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Após vitória da esquerda, Macron surpreende ao manter primeiro-ministro no cargo

8 de jul. de 2024
3 min de leitura

O Presidente francês está empenhado em assegurar estabilidade durante a transição após a surpreendente vitória eleitoral da aliança verde-esquerdista.


O primeiro-ministro, Gabriel Attal discursou no Hôtel Matignon em Paris após o segundo turno das eleições parlamentares francesas no domingo - Foto Reprodução/Guglielmo Mangiapane/Reuters





Em um movimento inesperado que surpreendeu analistas políticos e eleitores, o presidente francês Emmanuel Macron, pediu nesta segunda-feira (8) ao primeiro-ministro Gabriel Attal que permanecesse no cargo, apesar da recente vitória expressiva da esquerda nas eleições legislativas. Attal, que compareceu ao Palácio do Eliseu nesta manhã, tinha a intenção de renunciar após o resultado das eleições realizadas no país no domingo (7), onde a esquerda saiu vencedora de forma inesperada.


No entanto, Macron solicitou que ele se mantivesse no cargo até que a situação se definisse, um processo que pode levar semanas ou até meses. Isso se deve ao fato de que, embora tenha vencido as eleições e evitado que a extrema direita assumisse o poder, a esquerda não conquistou o número mínimo de assentos no Parlamento francês necessário para indicar um primeiro-ministro.


Contexto da vitória da esquerda


Apoiadores comemoram vitória surpreendente da aliança de esquerda na França - Foto Reprodução/Internet





No último domingo, ocorreu um resultado surpreendente nas eleições legislativas da França. A coalizão de esquerda Nova Frente Popular conquistou o maior número de assentos na Assembleia Nacional, porém sem maioria suficiente para governar sozinha. O segundo turno das eleições, realizado neste domingo (7), teve uma participação de quase 60% dos eleitores. As três maiores bancadas da nova legislatura são: Nova Frente Popular (esquerda), com 182 assentos; Juntos (coalizão governista de centro), com 168 assentos; e Reunião Nacional (extrema direita), com 143 assentos.


A vitória representa uma mudança significativa em relação à administração centrista de Macron, que dominou a política francesa desde sua eleição em 2017. O primeiro-ministro da França, Gabriel Attal, membro do partido Juntos, reconheceu a derrota e anunciou que iria renunciar ao cargo nesta segunda-feira (8). A responsabilidade de nomear um novo primeiro-ministro caberá ao presidente Emmanuel Macron, que se baseará nos resultados das eleições. A data para essa nomeação ainda não foi determinada.


Apesar do crescimento significativo no número de assentos conquistados pelo Reunião Nacional (RN), de 88 para 143, a extrema direita considerou o resultado decepcionante. No primeiro turno, realizado apenas uma semana antes, o partido de Marine Le Pen havia liderado todas as outras forças políticas, chegando a projetar que poderia alcançar a maioria absoluta na Casa.


"Nossa vitória foi apenas adiada", disse Le Pen, horas depois de uma pesquisa boca de urna indicar a derrota da legenda.

Perspectivas Futuras


Embora ainda não tenham decidido definitivamente unir-se, líderes do bloco de esquerda sugeriram a possibilidade de uma aliança com o centro para alcançar os 289 assentos necessários para obter maioria. Após a Reunião Nacional, liderada por Le Pen, conquistar 33% dos votos no primeiro turno, a Nova Frente Popular e o Juntos estabeleceram uma barreira para evitar que a extrema direita assumisse o poder.


A formação de um governo que consolide essas duas forças continua incerta. Ambos os blocos possuem profundas divergências em questões específicas, como a reforma da Previdência na França. Jean-Luc Mélenchon, um dos líderes da esquerda francesa, sugeriu que Macron reconheça sua derrota nas eleições e busque uma colaboração com o NFP para formar um governo. Às vésperas de iniciar negociações complexas para determinar o equilíbrio de poder na Assembleia Nacional, a França enfrenta uma situação inédita, com a possibilidade real de um Parlamento paralisado.


Reações e análises


Autoridades, políticos e celebridades do esporte comentaram sobre a vitória da esquerda nas eleições parlamentares na França. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), expressou satisfação nas redes sociais sobre a vitória da esquerda nas eleições parlamentares na França. Ele destacou a união das forças políticas contra o extremismo, elogiando a grandeza e maturidade demonstradas. Lula ressaltou que esse resultado, junto com a recente vitória do partido trabalhista no Reino Unido, enfatiza a importância do diálogo entre os segmentos progressistas em defesa da democracia e da justiça social, servindo de inspiração para a América do Sul.


Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha, celebrou o resultado eleitoral, comparando-o à escolha da Espanha um ano antes. Ele destacou a rejeição à extrema direita e o compromisso com políticas de esquerda que abordam seriamente os problemas das pessoas. Nas redes sociais, enfatizou que não se faz alianças nem se governa com a extrema direita. O premiê polonês Donald Tusk celebrou o resultado na França, onde a extrema direita, acusada de ter laços com Vladimir Putin, foi derrotada. Em Paris, houve entusiasmo; em Moscou, desapontamento; em Kiev, alívio. Jogadores da seleção francesa como Marcus Thuram, Tchouameni e Koundé também comemoraram. Kylian Mbappé havia previamente pedido aos eleitores franceses para impedirem o avanço do Reunião Nacional.

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