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Alerta vermelho: Desmatamento nos biomas brasileiros dispara 22% em 2022, revela estudo do MapBiomas

12 de jun. de 2023
4 min de leitura
De acordo com o mais recente Relatório Anual de Desmatamento (RAD) do MapBiomas, a Amazônia e o Cerrado foram responsáveis por 90% da área desmatada no país no ano passado.

Desmatamento em 2022 registrou o equivale a cerca de 90% da área total do estado de Sergipe - Foto Reprodução / Getty Images



O desmatamento nos biomas brasileiros registrou um aumento de 22,3% em 2022, alcançando a marca de mais de dois milhões de hectares devastados em um único ano, o que equivale a aproximadamente 90% da área total do estado de Sergipe. Especificamente na Amazônia, a taxa de desmatamento indica que cerca de 21 árvores foram derrubadas a cada segundo. Esses dados alarmantes são revelados pelo Relatório Anual de Desmatamento no Brasil (RAD), elaborado pelo MapBiomas, que analisa o uso da terra no país desde 1985. A situação é alarmante e coloca em xeque a preservação do meio ambiente no país.


Relatório


Durante o período de 2019 a 2022, ocorreram mais de 303 mil casos de desmatamento, abrangendo uma extensão de 6,6 milhões de hectares, o que equivale a uma vez e meia a área do estado do Rio de Janeiro. Durante esse tempo, foram cuidadosamente identificados, verificados e aprimorados um total de 76.193 alertas de desmatamento, resultando em uma área total de 2.057.251 hectares desmatados no ano passado.


Em 2022, o desmatamento revelou-se uma atividade de grande proporção, com uma média de 234,8 hectares por hora ou 5.636 hectares por dia. Na Amazônia, especificamente, o desmatamento atingiu a marca de 3.267,5 hectares por dia ou 136,1 por hora. O relatório destaca que houve um aumento na velocidade do desmatamento em todos os biomas, exceto na Mata Atlântica, que permaneceu estável. De acordo com o documento, o dia com o maior registro de desmatamento em 2022 foi em 25 de julho, quando foram desmatados um total de 6.945 hectares, equivalente a aproximadamente 8.400 campos de futebol.


Nos biomas da Amazônia e do Cerrado concentram-se aproximadamente 90% de toda a área desmatada. Essas duas regiões são responsáveis conjuntamente por 70,4% dos alertas de desmatamento e por 90,1% da área desmatada em 2022. Embora o Cerrado contribua com apenas 8,3% do total de alertas, a quantidade de área desmatada nesse bioma representa quase um terço do desmatamento ocorrido no país no último ano (32,1%), devido ao tamanho dos alertas.


A agropecuária é a principal responsável pelo desmatamento no país, com percentuais acima de 95%. Em determinadas regiões do Pará, observou-se uma concentração de alertas relacionados à atividade de garimpo como vetor de pressão.


O Pará está em posição de destaque


No ranking do desmatamento, o estado do Pará se destaca, sendo responsável por 22,2% da área desmatada no país, totalizando 456.702 hectares. Em seguida, encontra-se o Amazonas, com 13,33% (274.184 ha). Houve um aumento de 37% na área desmatada do Amazonas em relação a 2021, o que permitiu ao estado superar o Mato Grosso pelo segundo ano consecutivo. Em terceiro lugar está o Mato Grosso, com 11,62%, seguido pela Bahia, com 10,94%. O Maranhão perdeu uma posição no ranking, atingindo a marca de 8,2% de área desmatada. Juntos, os cinco estados responderam por dois terços do desmatamento detectado no país em 2022.


Municípios


Entre os 5.570 municípios brasileiros, 3.471 (62%) registraram pelo menos um evento de desmatamento verificado em 2022. Dos municípios com alertas no referido ano, somente 50 foram responsáveis por 52% da área total desmatada no Brasil. Desse grupo, 17 municípios estão localizados no estado do Pará, enquanto oito estão no Amazonas. Surpreendentemente, o município de Lábrea, no Amazonas, teve uma área desmatada de 62.419 hectares, ultrapassando a área desmatada do município de Altamira, no Pará, que foi o líder em desmatamento nos últimos três relatórios. Ao longo dos últimos quatro anos, apenas 1426 municípios (25,6%) não apresentaram detecção de desmatamento.


Áreas mais conservadas


As Comunidades Remanescentes de Quilombos (CRQ) e as Terras Indígenas (TIs) são os territórios mais preservados do Brasil atualmente. Em 2022, os desmatamentos em TIs representaram apenas 1,4% da área total desmatada no país e 4,5% do total de alertas validados nesse período. A maior parte dos alertas (91%) e da área desmatada em TIs (26.598 hectares) concentra-se no bioma Amazônia. Pelo segundo ano consecutivo, a TI Apyterewa (PA) registrou a maior área desmatada, com 10.525 hectares afetados em 594 eventos de desmatamento.


Em relação às CRQs, os desmatamentos que afetam essas comunidades representaram apenas 0,05% da área total desmatada no Brasil em 2022. Das 456 CRQs certificadas, apenas 62 (26,1%) apresentaram pelo menos um alerta de desmatamento detectado e validado no ano, com uma área mínima de 0,3 hectares. A CRQ Kalunga (GO) foi a mais impactada, tendo uma área de 258 hectares de vegetação nativa suprimida, parte dela localizada dentro da Área de Proteção Ambiental Pouso Alto, nas proximidades do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.


Desmatamento ilegal


O Relatório examinou as medidas adotadas pelos órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental para combater o desmatamento ilegal, incluindo autuações e embargos. Até maio de 2023, as ações de autuação e embargo realizadas pelo IBAMA e ICMBio abordaram apenas 2,4% dos alertas de desmatamento e 10,2% da área desmatada identificada no período de 2019 a 2022. No entanto, quando analisamos os 59 municípios prioritários determinados pelo Ministério do Meio Ambiente para combater o desmatamento na Amazônia, esses números melhoram um pouco: 4,1% do total de alertas e 17,7% da área desmatada.


Ao considerar também os esforços dos estados, o percentual de alertas com ações e autorizações aumenta para 9,7% e, em termos de área, chega a 35,5%. Durante o período de 2019 a 2022, os estados com a maior proporção de medidas tomadas pelos órgãos ambientais e ministérios públicos em resposta ao desmatamento foram Espírito Santo (73,7% dos alertas no estado), Rio Grande do Sul (55,6%), São Paulo (40,3%) e Mato Grosso (37,3%). Por outro lado, os estados que apresentaram menor atuação foram Pernambuco (0,8%), Maranhão (1,6%) e Ceará (1,9%).


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