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Alarmante: Mais de 300 milhões de crianças são vítimas de abuso sexual online anualmente

29 de mai. de 2024
5 min de leitura

Atualizado: 5 de jun. de 2024

Este é o primeiro estudo global desse tipo que revela a "escala impressionante" da criminalidade. No Brasil, mais de 17 mil casos de violações sexuais contra crianças e adolescentes foram registrados entre janeiro e abril deste ano.


Os ativistas chamaram o problema dos crimes sexuais online contra crianças de “pandemia de saúde global” - Foto Reprodução/DR





O abuso sexual online de crianças tem crescido de forma alarmante, com mais de 300 milhões de crianças sendo vítimas dessa prática hedionda todos os anos, sugerem pesquisas. Em uma estimativa global inédita sobre a dimensão da crise, pesquisadores da Universidade de Edimburgo, Reino Unido, descobriram que 12,6% das crianças no mundo foram vítimas de conversas, compartilhamentos e exposição não consensual a imagens e vídeos sexuais no ano passado, o que equivale a cerca de 302 milhões de jovens.


Uma proporção semelhante – 12,5% – foi alvo de solicitações online, como conversas sexuais indesejadas que podem incluir sexting, perguntas sexuais e pedidos de atos sexuais por parte de adultos ou outros jovens ou até mesmo divulgação de conteúdos eróticos e sensuais através de celulares. As ofensas também podem incluir "sextorsão", em que os agressores exigem dinheiro das vítimas para não divulgar imagens privadas, e o uso abusivo de tecnologia deepfake de IA.


A Epidemia Digital do Abuso Sexual


Com o avanço da tecnologia e a maior conectividade global, a internet se tornou uma ferramenta poderosa, mas também um campo fértil para crimes, incluindo o abuso sexual infantil. Plataformas de mídia social, salas de bate-papo, e até jogos online são utilizados por predadores para aliciar e explorar crianças. O anonimato proporcionado pela internet facilita a disseminação de material de abuso sexual infantil (MASI), tornando a detecção e a punição dos culpados uma tarefa desafiadora para as autoridades.


Estatísticas Alarmantes


De acordo com dados recentes, mais de 300 milhões de crianças são vítimas de algum tipo de abuso sexual online a cada ano. Esse número assombroso inclui desde a produção e compartilhamento de material abusivo até a exploração ao vivo em plataformas de vídeo. Além disso, a pandemia de COVID-19 exacerbou o problema, com o aumento do tempo que as crianças passam online e a vulnerabilidade acrescida decorrente do isolamento social.


Segundo pesquisa os EUA são uma área de risco particularmente alto. A iniciativa Childlight da universidade – que busca compreender a prevalência do abuso infantil – apresentou um novo índice global, revelando que um em cada nove homens nos EUA (cerca de 14 milhões) admitiu ter cometido crimes online contra crianças em algum momento. Estudos mostraram que 7% dos homens britânicos, equivalente a 1,8 milhão, confessaram o mesmo. A pesquisa também descobriu que muitos homens admitiram que tentariam cometer crimes sexuais físicos contra crianças se acreditassem que isso permaneceria em segredo.


O executivo-chefe da Childlight, Paul Stanfield, afirmou que isso ocorre em uma escala impressionante. No Reino Unido, por exemplo, seria equivalente a uma fila de criminosos do sexo masculino que se estenderia de Glasgow a Londres ou encheria o Estádio de Wembley 20 vezes. Segundo ele, o material de abuso infantil é tão prevalente que, em média, novos arquivos são denunciados às organizações de vigilância e policiamento a cada segundo.


"Esta é uma pandemia de saúde global que permaneceu oculta por muito tempo. Ocorre em todos os países, está a crescer exponencialmente e requer uma resposta global. Precisamos agir com urgência e tratá-lo como um problema de saúde pública que pode ser prevenido. As crianças mal podem esperar', disse Stanfield.

De acordo com o Disque 100 (Disque Direitos Humanos), mais de 17 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes foram registradas no Brasil entre janeiro e abril deste ano. Nos primeiros quatro meses de 2023, houve um total de 69,3 mil denúncias e 397 mil violações de direitos humanos de crianças e adolescentes. Destas, 9,5 mil denúncias e 17,5 mil violações envolveram violência sexual física – como abuso, estupro e exploração sexual – e psíquica.


A divulgação desses números faz parte das ações da campanha do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, celebrado no dia 18 de maio, promovida pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Com o tema "Faça Bonito. Proteja nossas Crianças e Adolescentes", a iniciativa visa promover a data e sensibilizar a sociedade para ações preventivas e educativas.


Stephen Kavanagh, diretor executivo da Interpol, afirmou que as abordagens tradicionais da aplicação da lei estão tendo dificuldade em acompanhar. Segundo ele, é necessário fazer muito mais em conjunto a nível global, incluindo a formação de investigadores especializados, melhor compartilhamento de dados e equipamentos para combater eficazmente esta pandemia e os danos que ela causa a milhões de jovens em todo o mundo. Grace Tame, uma sobrevivente de abuso sexual infantil e fundadora da Fundação Grace Tame, destacou que uma base de dados centralizada de investigação global é essencial para proteger as crianças.


Impacto na Saúde Mental e Física


As consequências do abuso sexual online são devastadoras e de longo prazo. Crianças vítimas desse tipo de crime frequentemente enfrentam traumas profundos, que podem levar a transtornos de ansiedade, depressão, e até comportamentos autodestrutivos. A violação da inocência e o medo constante também afetam negativamente o desenvolvimento social e emocional das vítimas.


Medidas Necessárias para Combater o Abuso


Para enfrentar essa crise, é imperativo que governos, organizações não-governamentais, empresas de tecnologia e a sociedade em geral tomem medidas proativas:


  1. Fortalecimento das Leis: A criação e a aplicação rigorosa de leis específicas para crimes de abuso sexual online contra crianças são essenciais. Isso inclui penalidades severas para os culpados e a implementação de mecanismos eficazes de vigilância e denúncia.

  2. Educação e Conscientização: Programas educacionais que ensinam crianças, pais e educadores sobre os perigos online e como se proteger são fundamentais. A conscientização sobre os sinais de abuso e como denunciar suspeitas também deve ser amplamente promovida.

  3. Tecnologia de Detecção e Prevenção: Investir em tecnologia avançada para detectar e prevenir a disseminação de MASI. Empresas de tecnologia devem colaborar para desenvolver algoritmos que identifiquem e removam rapidamente conteúdo abusivo.

  4. Apoio às Vítimas: Prover serviços de apoio psicológico e legal para as vítimas e suas famílias é crucial para ajudar na recuperação e reintegração das crianças afetadas.

  5. Colaboração Internacional: O abuso sexual online de crianças é um problema global que requer uma resposta coordenada entre países. Troca de informações, recursos e estratégias entre nações pode aumentar a eficácia na prevenção e combate ao crime.


O Papel da Comunidade


A comunidade também tem um papel vital a desempenhar na proteção das crianças. Denunciar atividades suspeitas, promover um ambiente seguro para discussões sobre segurança online e apoiar organizações que trabalham na proteção infantil são passos importantes que todos podem dar.

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