Agência Fitch eleva nota de crédito do Brasil de BB- para BB
De acordo com a nova classificação, o Brasil apresenta indícios de fortalecimento econômico, e os investidores estão demonstrando maior confiança em sua capacidade financeira.
A nota de crédito avalia a probabilidade de um país conseguir pagar suas dívidas - Foto Reprodução/Internet
A agência de classificação de risco Fitch melhorou a nota de crédito do Brasil, elevando-a de BB- para BB, e manteve a perspectiva estável. Essa mudança representa um avanço significativo, uma vez que o país havia sido rebaixado para BB- em 2018, em virtude da crise nas contas públicas e da não aprovação, na época, da reforma da Previdência no governo de Michel Temer. Agora, com essa revisão positiva, o Brasil demonstra sinais de fortalecimento econômico e maior confiança dos investidores em sua capacidade financeira.
"A atualização do Brasil reflete um desempenho macroeconômico e fiscal melhor do que o esperado em meio a sucessivos choques nos últimos anos, políticas proativas e reformas que apoiaram isso e a expectativa da Fitch de que o novo governo trabalhará para melhorias adicionais", diz o comunicado da Fitch.
Classificação de risco
A avaliação de crédito, também conhecida como nota de risco, rating, classificação de risco, avaliação de risco, notação de risco ou notação financeira de risco, tem como objetivo avaliar o valor do crédito das emissões de dívida de uma empresa ou governo. É uma abordagem similar às avaliações de crédito para pessoas físicas.
Essa classificação é determinada por meio de notas representadas por letras e sinais aritméticos, atribuídas com base em uma análise realizada pelas principais agências de classificação de risco. Essas agências avaliam a probabilidade de a entidade conseguir pagar suas dívidas de forma adequada.
Nova classificação da Fitch
A nova classificação ainda indica um grau especulativo, o que, de acordo com as agências de risco, significa que o Brasil está agora menos vulnerável ao risco no curto prazo, embora ainda enfrente incertezas em relação a condições financeiras e econômicas adversas. No entanto, a agência destaca que o Brasil tem progredido em importantes reformas para enfrentar os desafios econômicos e fiscais desde o último rebaixamento. Dentre essas reformas, destaca-se a aprovação da reforma da Previdência e a conquista da autonomia do Banco Central durante o governo de Jair Bolsonaro. Além disso, durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, foram implementados um arcabouço fiscal sólido e uma reforma tributária significativa.
O relatório enfatiza que, embora Lula defenda o afastamento da agenda econômica liberal dos governos anteriores, a agência prevê que possíveis desvios serão limitados pelo pragmatismo e pelos mecanismos de controle institucional. Além disso, a agência reconhece que, embora algumas reformas propostas pelo novo governo ainda estejam em andamento no Congresso, o governo Lula conseguiu assegurar governabilidade para avançar em sua agenda política e econômica.
Crescimento econômico
A agência Fitch revisou sua projeção de crescimento econômico para o ano de 2023, aumentando-a de 0,7% para 2,3%. Segundo a agência, esse ajuste se deve à recuperação saudável do país, mesmo diante da escalada da taxa básica de juros ocorrida durante a pandemia, bem como ao crescimento ascendente do mercado de trabalho.
Impacto
A agência Fitch enumera diversos fatores que impactam positiva ou negativamente a nota de crédito do Brasil. De acordo com a agência, além dos significativos avanços no controle fiscal ao longo dos últimos anos, os ratings do país são favorecidos por uma economia ampla e diversificada, uma alta renda per capita, um mercado doméstico robusto e um considerável colchão de caixa que sustenta a flexibilidade do financiamento soberano.
Além disso, a elevada proporção da dívida em moeda local, a capacidade de absorver choques econômicos, garantida por uma taxa de câmbio flexível, bem como as reservas internacionais robustas e a posição sólida frente a credores estrangeiros também contribuem para a avaliação positiva da agência em relação à soberania do país. Por outro lado, de acordo com a Fitch, as classificações do país são limitadas principalmente pela alta dívida governamental, a inflexibilidade fiscal, o limitado potencial de crescimento econômico e as pontuações relativamente baixas em governança.




























