Adeus a Sergio Mendes: Músico que popularizou a Bossa Nova pelo mundo morre aos 83 anos
O artista, conhecido por popularizar a bossa nova e o samba globalmente, ostenta o recorde de 14 canções no Top 100 das paradas americanas, um feito inédito entre músicos.
Sergio Mendes, em uma apresentação no Palco Sunset do Rock in Rio, em 2015 - Foto Reprodução / Bárbara Lopes / Agência O Globo
Sérgio Mendes, um dos maiores embaixadores da Bossa Nova e ícone da música brasileira, morreu nesta terça-feira (06) aos 83 anos, em Los Angeles, nos Estados Unidos, onde vivia desde a década de 1960. A família do pianista confirmou sua morte, embora a causa não tenha sido divulgada. Mendes, que alcançou enorme sucesso nos Estados Unidos, colaborou ao longo de sua carreira com grandes nomes do jazz, como Herb Alpert e Cannonball Adderley, artistas do pop americano, como Stevie Wonder, Justin Timberlake, Black Eyed Peas e John Legend, e da MPB, como João Donato e Hermeto Pascoal.
Trajetória Musical
Nascido em Niterói, no Rio de Janeiro, Sergio Mendes começou sua carreira nos anos 1960, em meio ao efervescente cenário da Bossa Nova, um estilo musical que combinava o samba com influências do jazz. Em 1964, ele se mudou para os Estados Unidos, onde produziu dois álbuns sob o nome de Brasil '64, pela Capitol Records e Atlantic Records. Foi lá também que ele fundou o grupo "Sérgio Mendes & Brasil '66", que alcançou sucesso com a versão em Bossa Nova de uma canção de Jorge Ben Jor. Mendes ganhou destaque internacional, trazendo uma nova sonoridade e interpretação ao cenário musical. Canções como "Mas que Nada" e "The Look of Love" se tornaram clássicos globais, levando a música brasileira ao reconhecimento mundial.
O músico passou um longo período em ostracismo, lançando discos que tiveram pouco sucesso comercial. Em 1971, Mendes teve a oportunidade de se encontrar com Elvis Presley durante a temporada do Rei do Rock em Nevada, no Midnight Show. Seu reencontro com o público aconteceu em 1984, com o lançamento do disco e sucesso "Never Gonna Let You Go", que alcançou o quarto lugar nas paradas. Pouco depois, ele lançou o álbum "Confetti", que inclui, entre outras faixas, a música "Olympia", composta para as Olimpíadas de 1984 em Los Angeles.
Nos anos 90, Sergio Mendes formou a banda Brasil 99 e lançou o álbum "Brasileiro", que o levou de volta às paradas de sucesso e lhe rendeu o Grammy de 1993 na categoria World Music. Em 2006, a música "Mas que Nada" foi remixada pelo Black Eyed Peas, com a participação de Mendes. Ao longo de sua carreira ele contou com colaborações de artistas renomados, como Stevie Wonder. Com 60 anos de carreira e 35 álbuns lançados, muitos dos quais alcançaram sucesso nas paradas internacionais.
Mendes recebeu o Grammy e foi indicado ao Oscar em 2012 pela música "Real in Rio", que compôs em parceria com Carlinhos Brown para a trilha sonora da animação Rio. O álbum mais recente, "In the Key of Joy" (2020), foi desenvolvido através de colaborações com artistas renomados como João Donato, Hermeto Pascoal e Guinga. No mesmo ano, o trabalho também inspirou um documentário com o mesmo título.
Legado Musical
Suas colaborações com artistas de diversos gêneros, desde jazz e pop até hip-hop, evidenciam sua versatilidade musical e sua habilidade em transitar por diferentes estilos sem perder a essência brasileira. Mendes foi indicado e ganhou vários prêmios, incluindo o Grammy, consolidando sua posição como uma figura central na música contemporânea.
Sergio Mendes não apenas popularizou a Bossa Nova fora do Brasil, mas também ajudou a definir o som de uma era. Seu trabalho trouxe um senso de otimismo e celebração, refletindo a cultura vibrante e a alegria do Brasil.
A sua influência pode ser percebida em muitos artistas atuais, que ainda reinterpretam sua música e o estilo que ele ajudou a moldar. Sergio Mendes deixa sua esposa, Gracinha Leporace, que também cantou com ele por muitos anos, além de cinco filhos e um vasto legado musical que continuará a inspirar novas gerações. Sua partida marca o fim de uma era, mas sua música e contribuição para a cultura brasileira e mundial certamente continuarão a brilhar por muitos anos.


























