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Ginecologista acusado de importunação sexual é afastado pela Justiça após denúncias de 16 pacientes na Bahia

2 de mai. de 2024
3 min de leitura

O ginecologista Elziro Gonçalves de Oliveira, de 71 anos, foi denunciado por crimes sexuais envolvendo 16 pacientes em Salvador. Ele deverá permanecer suspenso até a conclusão do processo judicial.


O ginecologista denunciado por importunação sexual contra 16 pacientes em Salvador foi afastado pela Justiça - Foto Reprodução/TV Bahia





Um caso de grande repercussão tem chamado a atenção na área da saúde na Bahia. Um ginecologista, foi afastado pela Justiça após denúncias graves de importunação sexual. O ginecologista Elziro Gonçalves de Oliveira, de 71 anos, foi afastado de suas atividades pela Justiça após ser denunciado por crimes sexuais contra 16 pacientes em Salvador. Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) nesta quinta-feira (2), ele permanecerá suspenso até que o processo judicial seja concluído.


O afastamento foi solicitado pelo MP-BA, que formalizou uma denúncia contra Elziro Gonçalves. No entanto, não foram fornecidos detalhes sobre a data em que o pedido foi feito ou quando foi deferido pela Justiça.


O Caso


Em março de 2024, Elziro Gonçalves foi formalmente acusado pelo Ministério Público da Bahia por importunação sexual em seis incidentes, quase um ano após as primeiras denúncias terem surgido. Adicionalmente, ele está enfrentando quatro procedimentos éticos perante o Conselho Regional de Medicina (Cremeb). Entre os 16 inquéritos iniciados pela Polícia Civil, 13 foram encaminhados ao MP-BA, porém, lamentavelmente, sete deles já estavam sujeitos à prescrição legal. Após nove meses desde as primeiras acusações, o Conselho Regional de Medicina iniciou um processo formal de análise ético-profissional contra o suspeito, visando investigar minuciosamente suas condutas.


Um documento, obtido exclusivamente pela emissora TV Bahia, revela que Elziro Gonçalves de Oliveira tem um prazo de 30 dias para apresentar sua defesa. O ginecologista poderá fornecer evidências, justificativas e convocar testemunhas para sustentar sua posição. Até o momento, o Cremeb recebeu um total de sete denúncias referentes a este caso específico. Três delas foram arquivadas por falta de elementos processuais substanciais, enquanto as outras quatro estão em fase de instrução no processo ético-profissional.


O que diz a defesa


Em comunicado, o representante legal do ginecologista envolvido no processo ético-profissional junto ao Cremeb declarou que, devido à natureza sigilosa da investigação, não pode oferecer comentários. Da mesma forma, os advogados encarregados da defesa de Elzrio Gonçalves nos inquéritos do MP-BA rejeitaram as alegações por meio de um comunicado oficial, assegurando que o acusado está cooperando plenamente com as autoridades e permanece firmemente determinado a restaurar sua reputação.


Acusações


No dia 19 de julho de 2023, durante o Bahia Meio Dia, programa afiliado à TV Globo na Bahia, surgiu a primeira denúncia. A denunciante, uma administradora de 43 anos, relatou ter sido vítima de assédio por parte de um ginecologista durante uma consulta no centro médico da Caixa de Assistência dos Empregados do Baneb (Casseb). O incidente ocorreu cerca de um mês antes, quando a mulher procurou atendimento devido a dores decorrentes de uma infecção urinária.


Desde então, outras pacientes ganharam coragem para se pronunciar. Elas afirmam que o profissional as abordou de maneira inapropriada, realizando procedimentos sem luvas e fazendo perguntas invasivas, como "Você gostaria que eu te estimulasse?", "Você está familiarizada com o ponto G?" e "Você já praticou sexo anal?". Duas mulheres, que optaram por manter suas identidades em sigilo, emocionaram-se ao compartilhar suas experiências.


A paciente relatou que ao chegar ao consultório, dirigiu-se ao banheiro para trocar de roupa. O ginecologista teria comentado: "Curioso, não acha? Algumas pacientes trocam de roupa na minha presença. Você preferiu o banheiro, por timidez, talvez?". Após o procedimento, o médico teria indagado sobre o status do relacionamento da paciente e se o casal praticava masturbação. "Qual é o tamanho do pênis do seu parceiro? Porque nem todo homem será capaz de satisfazê-la", teria observado o profissional para a paciente.


Outra mulher relatou que durante sua consulta, Elziro Gonçalves de Oliveira teria perguntado se ela estava em um relacionamento. Após sua negativa, o ginecologista teria comentado: "Como uma mulher bonita e atraente como você ainda não tem um parceiro?" Ele também perguntou: "Você já experimentou sexo anal?". Ao receber outra negativa, o profissional teria perguntado: "Você está familiarizada com o ponto G? Gostaria que eu a estimulasse manualmente?". A paciente afirmou ter ficado chocada com a situação, incapaz de responder.

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