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Áudios, vídeos e mensagens expõem como funcionava a manipulação de apostas no futebol brasileiro

May 15, 2023
3 min read
A Polícia Federal abrirá um inquérito para investigar suspeitas de manipulação de resultados e o planeja emitir uma medida provisória para regular as apostas.

Foto Reprodução



Nos últimos meses, diversos casos de manipulação de resultados em jogos de futebol foram expostos no Brasil. E agora, trechos de áudios, vídeos e mensagens obtidas pelo Fantástico, da TV Globo, revelam como funcionava a organização criminosa por trás dessas apostas. O programa que foi ao ar no domingo (15), mostrou detalhes de como era o esquema. Um grupo criminoso aliciava jogadores e combinava lances em campo para beneficiar um grupo de apostadores. O material é parte de investigação do Ministério Público de Goiás sobre manipulação de apostas em jogos de futebol, incluindo o Campeonato Brasileiro das séries A e B de 2022, bem como alguns jogos dos estaduais deste ano.


De acordo com as investigações, que deu origem a Operação Penalidade Máxima II, o caso começou quando o presidente do Vila Nova de Goiânia, Jorge Hugo Bravo, que também é oficial da Polícia Militar, descobriu que jogadores do clube estavam sendo aliciados por um grupo de apostadores antes de um jogo contra o Sport, pela série B do Brasileiro. Ele então, ao descobrir a situação, apresentou as provas aos promotores, fazendo a denúncia. "Ninguém topou. E nós só descobrimos isso porque ninguém topou", relata Jorge. Após a denúncia, o MP iniciou investigação no jogo do Vila Nova e outros dois jogos da mesma rodada da Série B do Campeonato Brasileiro.


Segundo os promotores, Bruno Lopez liderava o grupo investigado e se autointitulava empresário de jogadores. Os suspeitos eram divididos em 2 núcleos. Os apostadores aliciavam atletas para manipular lances durante os jogos e também realizavam apostas nos sites e os financiadores forneciam fundos para remunerar os jogadores recrutados. Além dele, havia mais dois homens: Thiago Chambó e Romário Hugo dos Santos. Os suspeitos formavam dois grupos.


"Eu tô com um contato no campeonato mineiro, no campeonato paranaense, no campeonato Paulista", disse Thiago Chambó em um dos áudios exibidos pela emissora.

Bruno Lopez foi preso e admitiu a conspiração com jogadores para cometer pênaltis e beneficiar a quadrilha nas apostas. Um dos jogadores envolvidos no esquema foi Marcos Alves Vinícius Barreira, também conhecido como Romário. No depoimento ao MP, o atleta disse que a proposta era para receber R$ 300 mil ou R$ 150 mil por um cartão vermelho, ou pênalti. Ele recebeu R$ 10 mil adiantados e o restante seria pago depois do jogo. Porém, como Romário não jogou, ele fez a proposta para outro jogador depois de já ter recebido o adiantamento.


Sete jogadores foram denunciados pelo MP na 2ª fase da Operação Penalidade Máxima, entre eles, Eduardo Bauermann, que preferiu ficar em silêncio no depoimento. Diante dessas revelações, as autoridades já estão trabalhando em ações de combate aos esquemas de apostas ilegais e manipulação de resultados. Esta semana, o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, informou pelo Twitter que a Polícia Federal abrirá um inquérito para investigar suspeitas de manipulação de resultados no futebol do Brasil. O governo federal também planeja emitir uma medida provisória para regular as apostas esportivas. Os sites de apostas são considerados vítimas do esquema na investigação.


Segundo o advogado de Thiago Chambó, as informações da denúncia não são suficientes para incriminar seu cliente, pois não há indícios de ilegalidade. Já os representantes de Romário Hugo dos Santos expressaram preocupação com o julgamento prévio na opinião pública antes de sua defesa ser apresentada na Justiça. A defesa de Bruno Lopez diz que as acusações serão respondidas no momento oportuno. Os representantes de Eduardo Bauermann negam qualquer envolvimento dele em irregularidades e afirmam que sua inocência será comprovada no decorrer do processo.




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