Temperaturas oceânicas alcançam níveis inéditos e preocupantes, alertam cientistas
A temperatura da superfície oceânica no planeta vem atingindo níveis nunca visto. Cientistas do clima alertam: esse aumento na temperatura da água levará a um clima mais extremo a partir da na segunda metade deste ano.

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As temperaturas oceânicas estão atingindo níveis nunca vistos, representando uma preocupação crescente para a comunidade científica. A rápida aceleração das temperaturas nos oceanos do mundo quebraram novos recordes no último mês, levando os cientistas a afirmarem que a Terra alcançou um “território desconhecido” na crise climática.
Segundo dados levantados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), conhecido como Optimum Interpolation Sea Surface Temperature (OISST), um registro de dados climáticos de longo prazo que utiliza informações coletadas de satélites, navios, bóias e flutuadores Argo, mostraram temperaturas continuamente mais altas nas águas mundiais nos últimos 42 dias. Acredita-se que o mundo esteja à beira de um grande evento climático este ano, o El Niño, o fenômeno são alterações significativas na temperatura das águas do Oceano Pacífico, causando grandes alterações no clima.
Projeções efetuadas neste mês de abril intensificaram ainda mais os efeitos do El Niño previsto para atuar na segunda metade deste ano. As simulações computadorizadas de grandes centros internacionais de Meteorologia indicaram a chegada de um evento climático de forte a muito forte intensidade, porém, algumas chegam a projetar um evento muito intenso. O aquecimento dos oceanos é uma preocupação por muitas razões.

O aumento da temperatura dos oceanos já vinha sendo captado em março - Foto Reprodução / Internet
A água do mar ocupa mais espaço em temperaturas mais altas, acelerando o aumento do nível do mar, consequentemente deixando as águas mais quentes nos polos, acelerando o derretimento das calotas polares. Os cientistas alertam que as águas mais quentes podem ter influência na biodiversidade marinha, levando ao branqueamento de corais, à diminuição da população de peixes e às mudanças na distribuição de espécies. Além disso, o aumento da temperatura dos oceanos pode ter efeitos cascata em todo o planeta, afetando a cadeia alimentar e causando impactos psicológicos em setores como a pesca e o turismo.
O alarme sobre o aumento na temperatura das águas oceânicas foi disparado pela primeira vez há várias semanas. Segundo os cientistas, no início deste mês que dados preliminares da NOAA mostraram que a temperatura média na superfície do oceano estava em 21,1°C desde o início de abril - superando a alta anterior de 21°C estabelecida em 2016.“A trajetória atual parece ter saído das paradas, quebrando recordes anteriores”, disse na época o professor Matthew England, cientista climático da Universidade de New South Wales.
Desde então, as temperaturas variaram ligeiramente de um dia para o outro, mas mostraram poucos sinais de diminuição. As temperaturas continuarem tão acima da média por um período tão longo nesta época do ano é "uma anomalia", disse Ben Webber, professor de ciência do clima na Universidade de East Anglia.
Alguns cientistas temem que o rápido aquecimento possa ser um sinal de que a crise climática está progredindo em um ritmo mais rápido do que o previsto. Os oceanos são responsáveis por absorver cerca de um quarto das emissões de dióxido de carbono causadas pela atividade humana, o que os torna uma ferramenta importante na luta contra as mudanças climáticas. No entanto, o aumento da temperatura dos oceanos pode levar à liberação dessas emissões de volta para a atmosfera, agravando ainda mais o problema. Os cientistas destacam a importância de medidas urgentes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e frear o aquecimento dos oceanos. Isso inclui ações para reduzir o combustível e investimentos em tecnologias limpas e renováveis.

























