Relatório do Cenipa aponta 'avaliação inadequada' do piloto em acidente envolvendo Marília Mendonça
Updated: May 15, 2023
O Cenipa divulgou as conclusões sobre as causas do acidente aéreo que resultou na morte da cantora Marília Mendonça e descartou a hipótese de falha do piloto ou do avião como causa do acidente.
A cantora Marília Mendonça morreu devido a um acidente aéreo, em Minas Gerais, em novembro de 2021 - Foto Reprodução / Internet
Relatório divulgado na noite desta segunda-feira (15), pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticas (Cenipa), da Força Aérea Brasileira, concluiu que não houve falha mecânica e apontou que o julgamento do piloto no momento de aproximação da aeronave para o pouso contribuiu para o acidente que matou a cantora Marília Mendonça e outras quatro pessoas em Piedade de Caratinga, na Região do Rio Doce, em Minas Gerais, em novembro de 2021.
"Houve uma avaliação inadequada acerca de parâmetros da operação da aeronave, uma vez que a perna do vento foi alongada em uma distância significativamente maior do que aquela esperada", diz um trecho do relatório sobre o acidente aéreo, diz um trecho do parecer.
Mais cedo, antes do relatório do Cenipa ser divulgado à imprensa, o advogado da família da cantora Marília Mendonça, Robson Cunha, havia afirmado em uma coletiva de imprensa que a hipótese de falha do piloto ou da aeronave como causa do acidente que resultou na morte da artista estava descartada e que um cabo de energia foi apontado como a causa principal do acidente, mas que era preciso aguardar a conclusão do inquérito da Polícia Civil para confirmação. Ele também disse que o relatório sugeriu a instalação de identificadores nas linhas de transmissão "ainda que esteja fora do perímetro de segurança do aeroporto, para evitar novos acidentes" e explicou que o trabalho do Cenipa é de identificar os responsáveis e prevenir situações como a corrida com a cantora, em vez de acusar.
"De modo geral, o Cenipa entende que não houve erro nenhum do piloto. Atitudes tomadas fora do plano de voo não são erradas", afirmou Robson Cunha.
De acordo com o órgão, a aproximação da aeronave "foi iniciada a uma distância significativamente maior do que aquela esperada" e "com uma separação em relação ao solo muito reduzida". O que significa que o avião estava abaixo da altitude adequada naquele ponto. O Cenipa também sugeriu que a tripulação pode ter se concentrado na pista de pouso em vez de manter uma distância segura do terreno durante a aproximação visual. Segundo as investigações, a aeronave colidiu com um cabo de uma torre de distribuição da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). O cabo estava localizado fora da área de proteção do aeródromo e possuía uma altura de 38,5 metros.
"Uma vez que a linha de 69 kV encontrava-se fora dos limites de Zona de Proteção de Aeródromo (ZPA) estabelecidos pelo PBZPA, ela não se caracterizava como um obstáculo que pudesse causar efeito adverso à segurança ou regularidade das operações aéreas"
Investigações da Polícia Civil de Minas Gerais em novembro de 2022 concluíram que a aeronave voava baixo e o piloto não seguiu o padrão de pouso do aeródromo. A aproximação foi correta, mas o piloto "se afastou" do local recomendado e saiu da zona de proteção, possivelmente tentando um pouso mais suave. A zona de proteção é a área ao redor de um aeródromo sujeita a restrições para garantir a segurança das operações. Apenas os obstáculos localizados dentro dessa zona são mencionados no Notam, um documento de referência para pilotos.
O relatório do Cenipa foi apresentado aos familiares das vítimas antes da divulgação pública. Segundo o advogado, a mãe da cantora, Dona Ruth, não quis participar e "entende que nada do que vier a ser tratado vai trazer Marília de volta e o interesse é que, a partir de hoje, não ocorram acidentes como esse".
Em 5 de novembro de 2021, o avião da cantora, um bimotor Beech Aircraft, prefixo PT-ONJ, operado pela PEC Táxi Aéreo de Goiás, com capacidade para seis passageiros, caiu em Piedade de Caratinga, Minas Gerais. A aeronave havia partido de Goiânia às 16h02 com destino a Caratinga, onde a artista se apresentaria à noite. Segundo a Anac, o avião estava regular e autorizado para táxi aéreo. Cinco pessoas, incluindo a cantora, morreram no acidente. Geraldo Medeiros (piloto), Tarciso Viana (copiloto), Henrique Ribeiro (produtor) e Abicieli Silveira Dias Filho (tio e assessor da artista).
A aeronave bateu em um cabo de energia antes de cair em uma cachoeira - Foto Reprodução Pedro Vilela / Getty Images
Os cinco ocupantes da aeronave sofreram politraumatismo contuso e faleceram após o impacto no solo, conforme informado pelo médico-legista Thales Bittencourt de Barcelos.
Marília Mendonça, conhecida como a rainha da sofrência, era uma das maiores representantes do sertanejo no país e deixou uma legião de fãs e amigos abalados com sua morte repentina. Sua carreira de sucesso e sua música deixou um legado para a música brasileira.





























