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Promotoria de Paris recorre após absolvição da Airbus e Air France pelo acidente aéreo que matou 228

Apr 27, 2023
2 min read
A decisão judicial afirmou não ser possível mostrar nenhuma 'relação de causalidade' da Air France e da Airbus com o acidente aéreo.

Foto Reprodução / Internet



O Ministério Público de Paris, na França, informou nesta quinta-feira (27) que entrou com recurso contra a decisão judicial que absorveu a Airbus e a Air France pelo acidente aéreo que matou 228 pessoas em 2009. Por meio de um comunicado, a promotoria argumentou buscar o "pleno efeito aos recursos previstos na lei" e "submeter o caso a uma segunda instância de jurisdição".


O acidente envolveu o voo AF447 da Air France, entre Rio de Janeiro e Paris, que caiu no meio da noite após passar por uma turbulência severa enquanto sobrevoava o Oceano Atlântico, poucas horas após a decolagem. A bordo da aeronave, estavam 216 passageiros de 33 nacionalidades, incluindo 61 franceses e 58 brasileiros. A tripulação de 12 pessoas era formada por 11 franceses e um brasileiro. Nos dias seguintes ao acidente foram encontrados os primeiros destroços do avião e alguns corpos. No entanto, a fuselagem foi localizada somente dois anos depois, a uma profundidade de 3.900 metros. As caixas-pretas revelaram que os pilotos estavam desorientados por conta de uma falha nas sondas de velocidade Pitot, que congelaram no meio da noite e devido a isso não conseguiram impedir a queda do avião, que ocorreu em menos de cinco minutos.


No dia 17 de abril, o tribunal francês absolveu as duas empresas, considerando que embora ambas tenham cometido "falhas", não foi possível comprovar nenhuma "relação de causalidade" segura da Air France e da Airbus com o acidente, ou seja, a justiça deu a entender que nenhum problema técnico do avião provocou a queda da aeronave. "Um provável nexo causal não é suficiente para caracterizar um delito", disse o juiz ao tribunal lotado.


A decisão revoltou parentes das vítimas, que lutavam havia 13 anos para que o caso fosse julgado. Quando os juízes leram a decisão, familiares presentes na sessão choraram e manifestaram revolta. A apelação da promotoria é "incomum", considerando que o MP pediu a absolvição das duas empresas durante o julgamento, afirmou Alain Jakubowicz, advogado de 40 vítimas e da associação 'Entraide et Solidarité' em entrevistas à agência de notícias francesa "AFP". Este recurso "era a última oportunidade para as famílias das vítimas", acrescentou ele, antes de destacar vários "erros no caso". O advogado ainda declarou que "Acontecerá um novo julgamento e a determinação das famílias será ainda maior. Isto nos dá muita esperança."


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