Primeiro caso de varíola dos macacos entre humanos e cães domésticos é registrado no mundo
Recentemente foi divulgado um estudo publicado na revista científica semanal "The Lancet", onde diz ter ocorrido o primeiro caso da varíola dos macacos (monkeypox), transmitido de humano para um animal. Segundo o artigo o caso relatado ocorreu em Paris, na França, em um cão de quatro anos de idade, da raça Galgo Italiano, que manifestou o início dos sintomas 12 dias após os donos terem sido diagnosticados com a doença, ainda segundo a pesquisa o cachorro apresentou lesões mucocutâneas, incluindo pústulas no abdômen e uma ulceração anal fina.
Os dados divulgados no estudo revelaram que o sequenciamento do vírus presente no cachorro tinha 100% de compatibilidade com o tipo de vírus de um de seus donos, um subtipo que vem se alastrando pela Europa e Estados Unidos desde meados de abril, início do surto em que foi registrado os primeiros casos. “Dadas as lesões de pele e mucosa do cão, bem como os resultados positivos de PCR (exame) do vírus da varíola dos macacos de swabs anais e orais, hipotetizamos uma doença canina real, não um simples transporte do vírus por contato próximo com humanos ou transmissão aérea (ou ambos), os cientistas na pesquisa publicada na semana passada.
“Aqui descrevemos o primeiro caso de um cão com infecção confirmada pelo vírus da varíola dos macacos que pode ter sido adquirida por transmissão humana. Os homens relataram dormir juntos com seu cachorro. Eles tiveram o cuidado de evitar que seu cão entrasse em contato com outros animais de estimação ou humanos desde o início de seus próprios sintomas (ou seja, 13 dias antes de o cão começar a apresentar manifestações cutâneas), diz um dos trechos no artigo escrito pelos pesquisadores.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio de uma entrevista coletiva, pediu que as pessoas que estejam infectadas com varíola dos macacos, procurem evitar expor seus animais ao vírus, uma vez que foi registrado o primeiro caso deste tipo de transmissão no mundo. “Este é o primeiro caso relatado de transmissão de humano para animal… e acreditamos que é a primeira instância de um canino infectado”, contou a líder técnica da OMS para varíola dos macacos, Rosamund Lewis, na coletiva aos repórteres, complementando que "Quando os vírus ultrapassam a barreira das espécies, muitas vezes causam preocupação de que eles possam sofrer mutações perigosas".
A principal preocupação, ainda segundo a OMS, está em torno dos animais que vivem nas ruas. “A situação mais perigosa é quando um vírus pode se mover para uma população de pequenos mamíferos com alta densidade de animais”, disse o diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, complementando que “É através do processo de um animal infectar o próximo e o próximo e o próximo que você vê a rápida evolução do vírus”. O órgão segue afetando o monitoramento dos crescentes registros da doença no mundo.

























