Ouro Negro: Porque este mineral se tornou alvo dos garimpeiros e uma ameaça aos Yanomamis

Depois do ouro, garimpeiros ilegais nos últimos tempos vem mirando em outros produtos valiosos no subsolo indígena yanomami, como a cassiterita conhecida também como "Ouro Negro", de onde se extrai o estanho, metal cujo valor passa por forte valorização no mercado internacional e é usado até celulares. O garimpo de cassiterita nas terras nas telas de yanomami é um assunto de grande preocupação, tanto do ponto de vista ambiental quanto humano.
O garimpo ilegal de cassiterita se tornou uma atividade comum há muitos anos nas terras yanomami em Roraima, o que tem gerado sérios impactos ambientais e sociais na região. Apesar dos riscos de contraírem malária, serem presos ou se envolverem em acidentes aéreos ou fluviais, o fluxo de garimpeiros clandestinos até a maior terra indígena do país foi aumentando a cada dia. Os garimpeiros muitas vezes entram ilegalmente na reserva indígena, desmatando a floresta e contaminando os rios e igarapés com mercúrio, um metal pesado que é usado no processo de extração do minério. Essa contaminação tem afetado a saúde dos indígenas que vivem na região, causando problemas como intoxicação por mercúrio, doenças respiratórias e outras doenças relacionadas à exposição a substâncias químicas tóxicas.
Além disso, o garimpo ilegal tem gerado conflitos entre os indígenas e os garimpeiros, resultando em violência, mortes e destruição das aldeias yanomami. Os indígenas têm denunciado as atividades ilegais e solicitando a retirada dos garimpeiros da área, mas a fiscalização e a aplicação da lei têm sido insuficientes para impedir a exploração ilegal da cassiterita. Um levantamento recente revela que, entre 2021 e 2022, Roraima exportou 733 toneladas de cassiterita e seus derivados quando não havia nenhuma mina autorizada pela Agência Nacional de Mineração.

A Cassiterita é um mineral de estanho muito valorizado e amplamente utilizado em uma variedade de aplicações industriais. É composto de óxido de estanho (SNO2) e é conhecido por sua cor brilhante, branco-cinza a amarelo. A cassiterita é amplamente utilizada na fabricação de ligas de estanho, que são utilizadas na fabricação de diversos produtos, como latas de alumínio para alimentos e bebidas, tela de telefones, computadores, entre outros produtos. Além disso, é utilizada na fabricação de vidro, cerâmica, baterias, solda e na produção de pigmentos brancos. Hoje, a tonelada de estanho custa cerca de US$ 27 mil no mercado internacional, R$ 144 mil. No auge da pandemia, o preço passou dos US$ 50 mil e despertou a cobiça dos garimpeiros ilegais.
A principal fonte de cassiterita é a mineração. O mineral é encontrado em depósitos de minerais de estanho em todo o mundo, incluindo na América do Sul, África e Ásia. O novo governo brasileiro enfrentará o desafio este ano de proteger as terras indígenas e garantir o bem-estar dos povos indígenas que nelas habitam. Isso inclui o combate ao garimpo ilegal, a proteção da floresta e dos recursos naturais, bem como o respeito aos direitos humanos e culturais dos indígenas.

























