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Mãe de menino desaparecido em SC relata pressão para doar filho encontrado em SP, diz delegada

May 10, 2023
4 min read
O menino dado como desaparecido em Santa Catarina foi localizado em São Paulo com um casal que alegava que ele foi entregue a eles de forma voluntária pela mãe da criança.

Foto Reprodução / Mídias Sociais



A mãe de um menino Nicolas Areias Gaspar de 2 anos desaparecido em Santa Catarina relatou à delegada responsável pelo caso que foi convencida a doar seu filho, encontrado em São Paulo. A criança estava desaparecida desde o dia 30 de abril e foi encontrada na noite da última segunda-feira (08), com um casal que havia saído do estado catarinense para o estado paulista. Nicolas segue em um abrigo sob a guarda do Conselho Tutelar de São Paulo aguardando uma decisão judicial autorizando seu retorno para a família no estado.


O casal identificado como Roberta Porfirio, de 41 anos, e Marcelo Valverde, de 52 anos, foram presos em flagrante com o menino pela Polícia Militar de São Paulo na manhã da terça-feira (09), durante uma abordagem no bairro Tatuapé, na Zona Leste da capital paulista. O delegado do 30º DP da capital, considerou que eles cometeram crime de adoção ilegal e que possa haver indícios de tráfico de pessoas, uma vez que foi constatado nas investigações no mesmo dia em que a criança havia desaparecido em Florianópolis, um carro de cor branca teve as placas adulterada e posteriormente saiu do estado em direção a São Paulo. Em audiência de custódia realizada na tarde desta terça-feira (09), o casal teve a prisão em flagrante convertida em preventiva.


Momento em que Roberta Porfirio e Marcelo Valverde chegaram ao 30º DP da capital paulista - Foto Reprodução / Mídias Sociais



Polícia de Santa Catarina



O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, informou que o casal preso vieram de São José para buscar a criança e após a repercussão do desaparecimento do menino, eles decidiram entrar em contato com o fórum paulista, onde foram instruídos a apresentar a criança, no entanto, no caminho, ocorreu a abordagem da Polícia Militar de são Paulo, posteriormente resultando na prisão deles. O delegado também informou que Valverde é apontado como intermediador da entrega da criança a Roberta, mulher que também foi detida e que ficaria com o garoto. A delegada responsável pelo caso, Sandra Nara, da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCami) de São José, afirmou em entrevista à imprensa que a mãe do menino e o homem preso teriam se conhecido quando ela entrou em grupos sobre gravidez nas redes sociais, depois que descobriu a gestação. Em um primeiro momento, a mãe de Nicolas havia negado a entregar a criança para o casal, porém dois anos depois decidiu fazer a entrega de forma espontânea. A delegada também contou que a mãe do garoto é bastante jovem, possui 22 anos, ela já foi vítima de violência e devido a isso apresenta uma vulnerabilidade psicológica muito grande, fato que a levou a ser aliciada a entregar Nicolas em uma adoção ilegal.


“A mãe tem uma fragilidade emocional muito grande e psicológica. Ela foi convencida por conta dessa fragilidade. Ela é muito jovem, ficou grávida com 19, 20 anos", disse a delegada.

Ainda segundo a delegada, no registro do menino só consta o nome da mãe, mas há indícios de que possa ser o pai e foi efetuada uma busca na casa dele.


“A criança está somente registrada no nome da mãe. Mas foi apontado um possível pai para nós. Nós cumprimos mandado na casa dele também, de todas as pessoas que foram indicadas pela investigação”, continuou ela.

A polícia também está investigando se houve algum tipo de troca financeira na doação. “A mãe nega ter recebido vantagem, mas nós só teremos essa certeza com a quebra do sigilo bancário de todos os envolvidos”, afirmou a delegada.



A operação da polícia paulista


No dia 30 de abril o Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM) de Santa Catarina, havia acionado a PM de paulista após uma denúncia sobre o paradeiro da vítima. A partir de então foi dando início a uma força-tarefa interestadual para localizar o garoto. Equipes da 5ª Companhia do 8º Batalhão de Polícia Militar de São Paulo começaram a efetuar um patrulhamento pela área até que conseguiram identificar o veículo descrito na denúncia, um Hyundai Creta branco e passou a monitorá-lo até a abordagem. De acordo com o Tenente Brandão, responsável pela ocorrência, os agentes decidiram pela abordagem após notar o nervosismo dos dois adultos ocupantes do automóvel.


Quando foi parada, Roberta apresentou um documento e disse ser a Certidão de Nascimento da criança. Ela também contou aos policiais que a mãe biológica do bebê teria entregado a criança voluntariamente e que eles estariam indo ao fórum regularizar a situação da adoção. A polícia apreendeu o carro e também os celulares dos dois.


Momento da abordagem da policia paulista em Taubaté - Foto Reprodução / Mídias Sociais



O retorno do menino para SC


O secretário de Estado da Segurança Pública de São Paulo, Paulo Cezar Ramos de Oliveira, em coletiva à imprensa, afirmou na terça que a volta do menino a Santa Catarina estava indefinida e que estavam aguardando uma resolução do Poder Judiciário de São Paulo, para efetuar seu retorno.


"Essa criança está submetida à jurisdição do Poder Judiciário de São Paulo, que vai determinar as medidas. A mais aguardada é que ela retorne o mais rápido possível. Estamos acompanhando passo a passo", disse o secretário.


Por meio de uma nota, o Ministério Público de Santa Catarina informou que entrou com uma ação solicitando uma autorização para que a criança seja transferida para São José, na Grande Florianópolis, onde reside a avó materna.







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