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MP das apostas: Entenda como a nova legislação visa combater a manipulação de resultados esportivos

May 11, 2023
4 min read
A medida provisória visa combater ilegalidades na modalidade de apostas em meio a escândalos de manipulação de resultados no futebol brasileiro, além de tributar com objetivo de ajudar a equilibrar as contas públicas.

Foto Reprodução



O Ministério da Fazenda divulgou nesta quinta-feira (11) uma proposta de medida provisória para taxação e regulamentação que pode afetar empresas e apostadores esportivos no país. De acordo com o texto, a ideia é taxar a receita das empresas e também os prêmios concedidos a jogadores que acertam na loteria e em outras modalidades de apostas, além de criar uma série mecanismos para impedir ilegalidades nas apostas. A ação ocorre em meio a um escândalo envolvendo suspeitas de corrupção em campeonatos de futebol brasileiro.


Segundo o órgão, a proposta visa aumentar a arrecadação do governo e ajudar a equilibrar as contas públicas e também será o pontapé para melhoria da fiscalização e combate a práticas criminosas relacionadas às apostas esportivas. Atualmente no Brasil as apostas são efetuadas com base em uma lei de 2018, que permite a modalidade online em resultados esportivos, mas não há regulamentação dessa atividade, o que impede que hoje ela seja taxada. As empresas não possuem CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas), por exemplo, e a tributação incide somente sobre as operações financeiras (mediadas pelos bancos).


Na prática, com a regulamentação o governo pretende fixar regras mais claras sobre esta modalidade de apostas, prevendo limites e sanções, em caso de descumprimento das normas. Outro objetivo é coibir fraudes e crimes que possam ser cometidos. Além disso, a medida deve permitir a taxação sobre apostas em um momento em que o governo tenta equilibrar as contas públicas. A MP define regras para as empresas de apostas com objetivo de coibir ilegalidades.


Veja o que diz o texto:



  • Jogadores, árbitros, dirigentes e menores de 18 anos ficam proibidos de apostar;


  • O operador das apostas deverá promover ações informativas de conscientização dos apostadores e de prevenção do transtorno do jogo patológico, ou seja, práticas para evitar que as apostas se tornem vício;


  • Os eventos esportivos objeto de apostas deverão contar com ações de mitigação de manipulação de resultados e de corrupção;


  • O texto afirma que é infração administrativa executar, incentivar, permitir ou, de qualquer forma, contribuir ou concorrer para práticas atentatórias à integridade esportiva, à incerteza do resultado esportivo, à transparência das regras aplicáveis ao evento esportivo, à igualdade entre os competidores, bem como qualquer outra forma de fraude ou interferência indevida apta a afetar lisura ou a higidez das condutas associadas ao desempenho idôneo da atividade esportiva;


  • As empresas terão de ser habilitadas para prestar o serviço relacionado a eventos esportivos oficiais, organizados por federações, ligas e confederações. Segundo o governo, empresas não habilitadas incorrerão em práticas ilegais e estarão proibidas de realizar qualquer tipo de publicidade, inclusive em meios digitais.


  • Entre as sanções para empresas que descumprirem as normas estão cassação da autorização, extinção da permissão ou da concessão. Além de multa no valor de 0,1% a 20% do faturamento bruto, limitada a R$ 2 bilhões.


  • Segundo o governo, a MP vai prever que as empresas serão taxadas em 16% sobre o chamado "Gross Gaming Revenue (GGR)", ou seja, a receita obtida com todos os jogos feitos, subtraídos os prêmios pagos aos jogadores.


  • Também haverá tributação de 30% do Imposto de Renda sobre o prêmio obtido pelo apostador, mas com isenção para prêmios de até R$ 2.112.


  • Segundo o Ministério da Fazenda, será criada uma nova secretaria, dentro da pasta, que será responsável pela análise de documentos para aprovação ou não do credenciamento das empresas de apostas no país. O órgão também vai acompanhar o volume de apostas e a arrecadação.


A medida provisória das apostas ainda precisa ser votada pelo Congresso Nacional para se tornar lei e se no prazo de 120 dias não for analisada por deputados e senadores no período, a norma perde a validade. As regras devem entrar em vigor assim que foram publicadas no "Diário Oficial da União", porém, ainda não se sabe quando isso deve acontecer. O texto foi enviado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na quarta-feira (10). Ele deve ser assinado pelos ministérios de Fazenda, Planejamento e Orçamento, Gestão e Inovação, Saúde, Turismo e Esportes.


Vale ressaltar que a regulamentação das apostas esportivas não será capaz de acabar completamente com a manipulação de resultados, mas é um importante passo no sentido de prevenir e detectar esse tipo de fraude e representa uma importante iniciativa do governo para regulamentar um mercado que movimenta bilhões de reais por ano e que pode trazer benefícios tanto para a arrecadação do Estado quanto para o desenvolvimento do esporte no país. Em abril, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que espera arrecadar de R$ 12 a R$ 15 bilhões com a taxação das apostas esportivas e que 16% cobrados sobre a receita obtida pelas empresas do setor serão divididos.


2,55% será destinado ao Fundo Nacional de Segurança Pública, para ações de combate à manipulação de resultados, à lavagem de dinheiro e demais atos de natureza penal que possam ser praticados no âmbito das apostas ou relacionados a ela. 0,82% para a educação básica. 1,63% para os clubes esportivos. 10% à seguridade social e 1% para o Ministério dos Esportes.


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