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Jiang Yanyong: Médico que denunciou a pandemia do SARS, morre aos 91 anos na china

Mar 15, 2023
2 min read

Jiang Yanyong, médico militar chinês que se tornou famoso por sua destemida denúncia sobre o encobrimento das autoridades chinesas, de toda a extensão da epidemia da da síndrome respiratória aguda grave (Sars), na China em 2003, morreu aos 91 anos, em Pequim, em decorrência de uma pneumonia. Yanyong faleceu no sábado (12), mas como é a norma com figuras públicas politicamente sensíveis, sua morte não foi divulgada na mídia estatal chinesa, no entanto a imprensa internacional nesta quarta-feira (15), confirmaram o falecimento do médico, além de amigos da família e alguns meios de comunicação em língua chinesa em Hong Kong, como o South China Morning Post.


Nascido em 4 de outubro de 1931, na cidade de Hancheu, localizada na província de Chequião, na China, em uma rica família de banqueiros, Yanyong decidiu fazer medicina depois de ver sua tia morrer de tuberculose. Em março de 2003, que trabalhava como médico em um hospital militar em Pequim na época, havia ficado alarmado ao ouvir o ministro da saúde chinês dizer ao público que havia apenas um punhado de casos de uma nova doença respiratória mortal. O médico sênior disse que sabia que mais de 100 pessoas estavam infectadas pelo Sars - síndrome respiratória aguda grave, apenas em enfermarias de hospitais militares. Com base nos dados que ele tinha, Yanyong, decidiu enviar em abril de 2003, uma carta aberta à mídia estatal, acusando o governo de subnotificar deliberadamente a propagação do Sars.


Na carta o médico pede que as autoridades chinesas não encobrirem o surto da doença, que já havia infectado centenas de pessoas em todo o país. Ele também alertou seus colegas sobre a gravidade da doença e pediu que relatassem qualquer caso suspeito ao governo, revelando que as autoridades estavam minimizando a ameaça. Yanyong, também revelou que o governo na época estava minimizando a ameaça. Quatro dias após ser exposto o caso nas mídias chinesas a denúncia foi vazada a organizações noticiosas ocidentais, como a revista Time que publicou imediatamente a notícia surpreendente, colocando como título "O (Vírus) SARS de Pequim Ataca". A Sars infectou mais de 8.000 pessoas em todo o mundo em 2003. Destas, 774 morreram, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).


Depois que sua carta chamou a atenção da mídia internacional e a mesma pressionou o governo chinês a tomar medidas para controlar o surto, o médico foi preso. Cumprindo prisão domiciliar, ele depois de alguns dias foi liberado após protestos internacionais. Ao longo de sua vida, ele recebeu várias honras civis reconhecendo suas posições públicas, incluindo o Prêmio Ramon Magsaysay de Serviço Público e Nobel de Literatura do Japão com livros sobre pacifismo e seu filho deficiente. Em 2019, ele foi honrado com o Prêmio Democracia e Justiça Global pelo seu papel na defesa dos direitos humanos e da liberdade de expressão. Sua coragem e integridade inspiraram muitos chineses e ajudaram a mudar a atitude do governo sobre a transparência em situações de crise de saúde. Ele deixou esposa, um filho e uma filha.







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