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Indígenas Yanomamis: Uma tragédia humanitária em curso; Parte II

Jan 26, 2023
3 min read

No dia 01 de janeiro desse ano, poucas horas após assumir o terceiro mandato como Presidente do Brasil, Lula, além de criar o Ministério dos Povos, nomeou Sônia Guajajara, para ficar a frente da pasta, a primeira indígena a assumir o cago de ministra no país, Lula também em seus primeiros atos como oficialmente chefe de estado, revogou a lei sancionada por Jair Bolsonaro que viabilizava o garimpo em terras indígenas, principalmente as próximas a reserva yanomami, sendo assim, tornando essa atividade ilegal nas terras demarcadas nos governos anteriores. O que não se imaginava era a situação desumana em que foi deixado os indígenas yanomamis, pelo governo anterior.


Recentemente, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) cobrou ao procurador-geral da República, Augusto Aras, uma representação feita por ele em 11 de dezembro de 2022, ainda no governo Bolsonaro, na qual solicitava providências referentes às denúncias de violência e descaso em relação aos indígenas yanomamis. De acordo com o petista, a população indígena em questão, encontrava-se em uma situação grave de desnutrição, sobretudo as crianças, resultado de uma série de violências contra suas terras, intensificadas pelos garimpeiros ilegais da região.


A denúncia de Fabiano usou como base um relatório elaborado pelo presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kwana, Júnior Hekurai Yanomami, no qual afirma que a situação de precariedade na terra dos yanomamis, foi agravada pela ação de garimpeiros, que provocam a contaminação de rios e a degradação da floresta. Ele também salientou a falta assistência no Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) que potencializa a insegurança da população, resultando em níveis catastróficos de desnutrição e que já são mais de 10 mil crianças yanomami sem assistência médica, sem acompanhamento da SESAI (Secretaria Especial de Saúde Indígena) por falta de recurso e de equipe médica na localidade.


No dia 20 de janeiro o Ministério da Saúde declarou emergência de saúde pública diante das condições sanitárias em que os indígenas foram encontrados. Uma portaria foi publicada em edição extra do Diário Oficial após registros de casos de desnutrição infantil e malária. No sábado (21), o Presidente Lula acompanhado por ministros, estiveram em Roraima, da base aérea ele foi diretamente para a Casa de Saúde Indígena (Casai), local prestar atendimento médico e que atualmente recebe 715 indígenas, lá ele viu de perto a crise sanitária que atinge os indígenas, conversou com lideranças e anunciou diversas medidas para combater a crise sanitária dos indígenas, entre elas a criação de um comitê interministerial para adotar medidas de apoio aos indígenas.

O comitê deverá elaborar e apresentar em 45 dias um plano de ação, porém de imediato, um hospital de campanha da aeronáutica será transferido do Rio de Janeiro para Boa Vista, capital do estado, na qual, montará uma estrutura que deve ficar pronta no dia 27 de janeiro. A Aeronáutica, em caráter de urgência, também vai ajudar fazendo a distribuição de, pelo menos, cinco mil cestas básicas. Já o Ministro da Justiça, Flávio Dino, determinou a abertura de um inquérito que deve investigar se foi praticado o crime de genocídio, além de crimes ambientais na maior reserva indígena do país, onde os Yanomami chegam a 30 mil.

Dados levantados e divulgados na terça-feira (23), relataram que equipes do Ministério da Saúde que atuam de forma emergencial em comunidades dentro da reserva Indígena Yanomami, resgataram nos últimos dias, mais de mil indígenas em estado de saúde grave. De acordo com o informado, os indígenas sofrem, principalmente com pneumonia, malária e de desnutrição grave e que eles estão sendo resgatados das comunidades onde vivem e encaminhados para o posto de Surucucu, uma unidade considerada de referência na região, no entanto, se resume a um barracão de madeira de chão batido e com estrutura precária. De lá os quadros considerados gravíssimos são encaminhados para Boa Vista.


Segundo o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kuana (Condisi-YY), Júnior Hekurari Yanomami, só no domingo (22), foram resgatados com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB), 26 crianças e dois adultos. Ainda de acordo com ele, os dados sobre os indígenas que estão sendo resgatados mudam conforme os dias passam e é provável que o número aumente ainda mais, uma vez que há regiões do território que ainda não receberam os agentes de saúde.



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