Descoberta revela presença de sangue raro em três brasileiros e exigiu força-tarefa para transfusão
Segundo Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), do Ministério da Saúde, há apenas três pessoas cadastradas no Brasil com sangue com do tipo Fenótipo Bombay
Existem quatro tipos sanguíneos principais: A, B, AB e O. Além desses, há outro fator que também pode determinar a tipagem sanguínea: o fator RH, que pode ser positivo ou negativo. No entanto, o que muitas pessoas não sabem é que existem diversos tipos sanguíneos raros que também são encontrados em brasileiros. A Sociedade Internacional de Transfusão Sanguínea (ISBT, na sigla em inglês) já identificou ao menos 43 sistemas que descrevem mais de 373 antígenos sanguíneos diferentes e esse número não é definitivo. Sua diferenciação está, principalmente, nas proteínas que o compõem.
Entre os antígenos já conhecidos, alguns são extremamente raros, como o kell-null, também conhecido como sangue com Fenótipo Bombay. Esse tipo de fenótipo é encontrado em maior número na população de países como Finlândia, Japão e Reino Unido. Ele é tão raro que é encontrado em apenas 0,0004% da população mundial. No início deste mês a coordenação-geral de sangue e hemoderivados do Ministério da Saúde do Brasil, acionou os hemocentros do país para ajudar na procura de uma bolsa de sangue raro para uma mulher, internada em estado grave, que precisava de uma transfusão sanguínea em Teresina, no Piauí.
Para ajudar a paciente com a transfusão, foi organizada uma força-tarefa. Após identificar que existia um possível doador na cidade de Botucatu, no estado de São Paulo, o hospital onde a paciente encontrava-se internada, entrou em contato com a unidade de saúde do interior paulista. Prontamente foi necessário localizar o doador cadastrado que possui o sangue raro e convidá-lo a fazer a doação. Depois de aceitar e efetuar a doação sanguínea, a bolsa de sangue viajou 2.600 km até chegar ao seu destino. Uma bolsa de sangue quando conservada adequadamente em temperatura, de 2 a 8 graus, pode ter duração de até 35 dias, tornando-se assim, bastante viável a transfusão entre pacientes de localidades distantes, como nesse caso
Doador de Botucatu, no estado de São Paulo
Rafael Pereira Nogueira, que fez a doação do chamado sangue raro, poder ajudar é mais que um ato de solidariedade e de amor ao próximo. "Saber que pude ajudar a salvar uma vida, que fiz o bem para alguém que estava precisando e que posso fazer isso até para alguém em outro estado me deixa muito feliz". De acordo com o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), do Ministério da Saúde brasileiro, há apenas três pessoas no país cadastradas com a tipagem rara Fenótipo Bombay. O CNSR foi criado para o registro do quantitativo de doadores de sangue raro nos hemocentros públicos e, assim, conseguir localizá-los rapidamente caso haja a necessidade de doação.
O Fenótipo Bombay é uma condição genética hereditária que ocorre quando uma pessoa tem duas cópias do gene recessivo h/h. Isso faz com que o indivíduo não produza a substância chamada antígeno H, que é encontrado em outras pessoas com sangue do tipo A, B ou O. Como resultado, as pessoas com o Fenótipo Bombay não possuem os antígenos A e B em suas células sanguíneas , o que os torna incompatíveis com as transfusões de sangue de pessoas com os tipos sanguíneos mais comuns. A busca por doadores compatíveis é dificultada, devido ao tipo sanguíneo Fenótipo Bombay, ser extremamente raro e muitas pessoas que o possuem nem sabem disso. Além disso, os doadores precisam ter um tipo sanguíneo específico, chamado de hh, para serem compatíveis com os pacientes.




























