Crise britânica: Membros do governo pedem para sair e Boris Johnson se recusa a renunciar
O cargo de primeiro-ministro britânico Boris Johnson está à beira do colapso após uma série de renúncias, incluído o chanceler, do secretário de saúde, vários ministros e assessores conservadores em rebelião aberta, no total já são ao menos 40 membros do governo do Reino Unido, que pediram para sair, já alguns ministros seniores, nesta quarta-feira (06), reuniram-se na Downing Street (residência oficial e escritórios do primeiro-ministro Inglês), para dizer a Johnson que ele precisava renunciar, mas logo após ele insistiu que não deixaria o cargo mesmo diante da rebelião crescente dentro de seu partido.
"Eu não vou sair, e a última coisa que esse país precisa, francamente, é de uma eleição”, disse o primeiro-ministro a um comitê parlamentar.
O primeiro-ministro britânico segue determinado a continuar lutando, apesar de uma delegação de ministros de alto escalão, incluindo o secretário do Interior, Priti Patel, e o secretário de Transportes, Grant Shapps, pessoalmente insistir em sua renúncia.
As renúncias começaram a ocorrer momentos após Johnson se desculpar pela nomeação do parlamentar Chris Pincher, do Partido Conservador, para exercer um cargo no governo, mesmo sendo informado sobre as acusações de assédio sexual contra Pincher, em 2019, na semana passada Pincher chegou a ser suspenso do Partido Conservador após relatos de que teria apalpado dois homens em um clube. Ao renunciar ao cargo no governo o parlamentar disse que havia "bebido muito" e "constrangido a mim e outras pessoas"
Mesmo assim, no mês de fevereiro deste ano, Boris Johnson acabou nomeando Pincher como "deputy chief whip", posto que, no sistema político britânico, tem como atribuição garantir que parlamentares do partido no poder votem conforme a orientação das lideranças.
Caso o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, renuncie, o governo terá duas opções. Uma é se Johnson, sob pressão de ministros e parlamentares, concordar em deixar o 10 no momento em que um substituto for encontrado, como aconteceu com Theresa May em 2019. Nesse cenário, nada formal precisaria acontecer, Johnson permaneceria no cargo, tentaria remendar um gabinete provisório, e o foco mudaria para a escolha de seu substituto.
Se ele renunciasse com efeito imediato, seria necessário nomear um primeiro-ministro interino, pois constitucionalmente precisa haver um primeiro-ministro no cargo o tempo todo. Dominic Raab, o secretário de Justiça, é o vice-primeiro-ministro e seria a escolha padrão, mas se ele estivesse concorrendo para substituir Johnson e se sentisse que a incumbência poderia lhe dar uma vantagem injusta, é possível que uma opção mais neutra pudesse intervir.

























