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Americanas apresenta plano de recuperação judicial que prevê venda de avião e de hortifruti

Mar 21, 2023
2 min read

As Lojas Americanas, uma das maiores redes de varejo do país, apresentou um plano de recuperação à 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (20). O plano da varejista foi apresentado pelo trio de sócios bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, no limite do prazo estabelecido pela Justiça e inclui aporte de R$ 10 bilhões, além de vendas de ativos, leilão reverso e conversão de dívidas em ações. Entre os bens a serem vendidos estão uma aeronave avaliada em mais de R$ 40 milhões, o Hortifruti Natural da Terra, o grupo Uni.co e a participação na Vem Conveniência, joint venture com a Vibra Energia. Ao todo, esse tipo de operação alcançaria R$ 2 bilhões.


A proposta do plano de pagamento dos débitos da empresa varejista oferece a pequenos credores e trabalhadores, 30 dias para efetuar o pagamento. Já três opções foram apresentadas para fornecedores e quatro a credores financeiros. Aos bancos que emprestaram dinheiro à companhia, é oferecida a conversão das dívidas em ações da mesma. O plano proposto pelos sócios majoritários ainda depende de aprovação dos credores. Caso aprovado, a Americanas passará a ter dívida bruta de R$ 4,9 bilhões em seu balanço. No total, a Americanas possui uma dívida de R$ 42 bilhões.


Esses valores superam o inicialmente descoberto pelo então presidente da varejista Sérgio Rial, no início de janeiro, que na ocasião detectou um problema no registro das dívidas que a companhia tinha com os fornecedores e bancos, em torno dos R$ 20 bilhões, apenas duas semanas após o CEO assumir o cargo. Na operação, a empresa comprava mercadorias dos fornecedores antes da venda e depois quitava a dívida com um empréstimo do banco. Desta maneira, o fornecedor receberia e a companhia pagava depois a instituição bancária com os juros.


Este modo de operação é legal, no entanto, o problema foi identificado na hora de registrar essas dívidas. No balanço contábil da empresa a dívida financeira aparecia registrada como "Dívida com o fornecedor" e sem juros. Muitas dívidas da Americanas têm, em contrato, condições variáveis, o que piorou ainda mais a situação. O juro foi crescendo e os prazos diminuíram e desta maneira ao longo dos anos acabou gerando o rombo bilionário. Apesar dos desafios enfrentados nos últimos anos, a Lojas Americanas mantém uma posição forte no mercado brasileiro e espera superar a crise atual com o plano de recuperação judicial.


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