Alexandritas: A polêmica por trás da joia rara envolvida em prejuízo milionário do jogador Scarpa
Perícia judicial das pedras preciosas pode esclarecer golpe sofrido por ex-jogadores do Palmeiras

Recentemente, veio à tona que os o lateral-direito Mayke, do Palmeiras, e o meia Gustavo Scarpa, ex-jogador do Verdão e atualmente no futebol inglês, foram vítimas de um golpe milionário envolvendo criptomoedas. Segundo informações divulgadas, em uma reportagem do programa jornalístico "Fantástico", da Rede Globo, os jogadores investiram em uma corretora que prometia rendimentos altos com a moeda virtual, porém perderam todo o dinheiro investido no negócio que foi feito em maio do ano passado. A empresa foi indicada por Willian Bigode, que na ocasião também jogava no time paulista e agora é atleta do Fluminense. Segundo ainda informado, o atacante do Tricolor carioca é sócio-proprietário da empresa WLJC Consultoria que tem uma parceria com a Xland Gestora De Investimentos, empresa cuja matriz está localizada em Rio Branco, capital do Acre e que é citada como a responsável por aplicar o golpe.
Esta semana o caso envolvendo os atletas ganhou um novo capítulo. No dia 29 de março veio a conhecimento público que o advogado do jogador Gustavo Scarpa havia ajuizado um pedido à Justiça de São Paulo, solicitando a tutela de um malote de 20,8kg onde estariam pedras de alexandrita. O valor das pedras preciosas, de acordo com a XLand, empresa acusada de causar prejuízo de milhões aos jogadores, é de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões). O juiz Daniel Fadel de Castro, da 10ª Vara Cível, determinou o bloqueio do malote e que o mesmo permanecesse sob a custódia da Sekuro Private Box S/A, empresa na qual tinha um contrato válido com a XLand até 28 de março. Com o encerramento do contrato a empresa especializada no serviço de aluguel de caixas de segurança privada (Cofres) poderia devolver o malote ao dono (Gabriel de Souza Nascimento, um dos sócios da XLand), caso não houvesse decisão judicial contrária.
Alexandrita é uma gema rara e valiosa que foi descoberta pela primeira vez em 1830 na Rússia, perto do rio Tokovaya, na região de Ural. Esta pedra preciosa é conhecida por sua habilidade única de mudar de cor, dependendo da fonte de luz em que é vista, o que a torna ainda mais especial. O nome "alexandrita" foi dado em homenagem ao czar da Rússia Alexander II, por sua cor verde intensa, que é a mesma cor do uniforme dos Guardas Imperiais Russos. No entanto, quando a pedra é vista em luz natural, como sob a luz do sol, sua cor muda para um tom de vermelho-púrpura. Essa habilidade de mudança de cor é conhecida como efeito alexandrita e é um resultado da presença de impurezas de cromo e ferro dentro da pedra. A alexandrita é uma variedade do mineral crisoberilo e é classificada como uma gema de coríndon.
A alexandrita é rara e encontrada em depósitos muito específicos em todo o mundo, incluindo Brasil, Sri Lanka, Tanzânia, Madagascar e Índia. No entanto, a qualidade da alexandrita russa é considerada superior e, portanto, é altamente valorizada no mercado de pedras preciosas. Devido à sua raridade e beleza única, a alexandrita é uma das gemas mais caras do mundo, superando em valor até mesmo outras pedras preciosas famosas como esmeraldas, safiras e rubis. A alexandrita é frequentemente usada em jóias como anéis, colares e brincos, e é também uma escolha popular para anéis de noivado especiais. atualmente cada quilate de alexandrita pode custar até 70 mil dólares (quase R$ 360 mil, na cotação atual).
Relembre o caso dos jogadores
O caso do golpe financeiro contra os jogadores se tornou público no dia 10 de março, quando foi exposto que os atletas Gustavo Scarpa e Mayke estavam processando a WLJC Consultoria e a Xland Gestora De Investimentos na justiça de São Paulo, por fraude financeira. Nos autos do processo os jogadores também solicitaram a rescisão dos contratos e que fosse devolvida as quantias perdidas. Scarpa, contou que investiu mais de R$ 6 milhões em criptomoedas em 2020, com promessas de retornos financeiros de 3,5% a 5% ao mês.
Scarpa disse que acreditava estar fazendo um bom investimento, no entanto. Em agosto do ano passado, ao informar que queria efetuar o resgate de parte do dinheiro, ele começou a desconfiar que havia caído no golpe. Pouco depois, em novembro do mesmo ano, ele registrou um boletim de ocorrência, denunciando as empresas por estelionato. O jogador Mayke também tentou resgatar o dinheiro a quantia investida, mas também não obteve sucesso.
Na justiça, ambos alegam que foi Willian Bigode, sócio-proprietário da empresa WLJC, que os apresentou à empresa de investimentos. A soma investida pelos atletas equivale a mais de R$ 11 milhões. Como não conseguiram reaver os valores desde 2022, os jogadores intimaram o ex-colega na justiça e pediram até o bloqueio de seus bens. "Pelo respeito, amizade, consideração e amor que eu tenho por você, queria te dar um toque antes. Infelizmente vou ter que falar da sua empresa", disse Scarpa em áudio a Bigode antes de registrar o caso na polícia.
De acordo com uma nova reportagem do "Fantástico", A Xland apresentava para seus clientes um documento, o SKR, termo em idioma inglês “SAFEKEEPING RECEIPT”, que pode ser definido com um “Recibo de Guarda Segura” emitido por uma empresa de segurança de São Paulo, dando a pedradas preciosas como garantia do negócio. Danilo, CEO da Sekuro, explicou que o documento só servia para provar que a empresa de cofres era a responsável por guardar as alexandritas, mas que não poderia ser apresentado como um comprovante de valor das pedras, como foi feito pela Xland. O valor que aparece no SKR, é de US$ 500 milhões (cerca de 1,5 bilhão de reais).
Segundo um dos trechos deste documento encaminhado pela a Xland a Sekuro, o objetivo do documento era especificar o valor de mercado do lote de alexandrita em estado bruto, que de acordo com a financeira pesava 20 quilos. O laudo foi assinado por Weysida Carvalho, especialista habilitada para analisar e avaliar as gemas e jóias, de acordo com peso, lapidação, cor, dureza e pureza. Na conclusão, a gemóloga atestou que o valor adequado do lote considerado por elas é de aproximadamente R$ 2,5 bilhões, ou seja, um valor muito acima do que a Xland pagou pelas pedras à empresa “Andrade Gemas e Joias”, localizada em Campo Formoso, na Bahia. Na nota fiscal, a financeira comprou os 20 quilos de joias raras por apenas R$ 6 mil.
A perícia confirmou ao "Fantástico" que é a autora do laudo, afirmando que geralmente a avaliação das pedras preciosas leva cerca de quatro dias para ser finalizada. A Xland por meio de uma nota, disse que disse que o valor das joias foi embasado em laudo técnico, como prova da integridade e no valor de mercado das pedras. Weysida se colocou à disposição para realizar uma nova perícia técnica ou para contraprova.

























