Aeroportos se tornam alvo de quadrilhas de drogas, colocando a segurança dos passageiros em risco
O Ministério Público da Alemanha decidiu autorizar a soltura das duas brasileiras que foram presas em Frankfurt, após terem suas malas trocadas por bagagens contendo quase 40 quilos de droga, em março deste ano. A decisão do MP alemão se deu depois que as investigações apontaram que as brasileiras seriam, na verdade, vítimas de uma quadrilha internacional de tráfico de drogas que atua na rota Brasil-Alemanha. A defesa das duas mulheres havia informado que elas foram inocentadas e não precisaria esperar nenhum trâmite processual.
"Não precisa de chancela do juiz. Elas serão soltas hoje. Na Alemanha funciona assim. A legislação permite que quando o Ministério Público arquiva o processo, que peça então que sejam liberadas", explicou Chayane.
Com a decisão do MP da Alemanha, o próximo passo é conseguir a soltura das brasileiras junto aos tribunais alemães. A expectativa da defesa é de que isso ocorra nos próximos dias. Diferente do Brasil, na Alemanha o Ministério Público pode autorizar este tipo de liberação sem antes passar por um juiz. A prisão das brasileiras em Frankfurt gerou grande repercussão no Brasil, tendo em vista que elas são mulheres trabalhadoras, não possuem nenhum antecedente criminal. O que aconteceu?
As goianas Jeanne Paolline e Kátyna Baía, efetuaram uma viagem de férias por 20 dias para a Alemanha, porém horas antes de desembarcarem em Berlim, na capital da Alemanha, elas foram presas por tráfico internacional de drogas. No bagageiro do avião havia duas malas com 20kg de cocaína cada. A prisão das goianas ocorreu ainda na fila de embarque da escala, sem que elas pudessem ter visto as malas. As brasileiras ficaram presas por 38 dias em uma prisão de Frankfurt III ou JVA III, localizada ao norte da cidade. Esta prisão feminina é a única da cidade, com capacidade para 380 detentas. Após a prisão das brasileiras, a Polícia Federal (PF), em Goiás, começou a investigar o caso.
Foto Reprodução da Internet - Imagens da ação da quadrilha do caso da brasileiras
Ao verificar as imagens dos aeroportos de Goiana, onde as malas foram despachadas para o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, foi averiguado que funcionários terceirizados que cuidavam das bagagens no aeroporto paulista haviam trocado as etiquetas das malas brasileiras. Todo processo das malas ilícitas foram registradas pelas câmeras do aeroporto. Assim que as evidências foram encaminhadas ao Ministério Público e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, também conhecido como Itamaraty, efetuou os trâmites necessários, e elas foram liberadas.
A situação também levantou questões sobre as políticas de segurança aeroportuárias e também da criação de medidas preventivas que possam evitar que pessoas inocentes sejam usadas por quadrilhas internacionais de tráfico de drogas. Mas o que se sabe até o momento das quadrilhas que agem nos aeroportos, como neste caso das brasileiras. Nos últimos anos, as quadrilhas de drogas têm encontrado nos aeroportos brasileiros uma rota para a distribuição de entorpecentes pelo país e pelo mundo. De acordo com a Polícia Federal, os principais aeroportos de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília são os principais alvos dessas organizações criminosas.
Os traficantes atuam de diversas formas, desde o uso de mulas (pessoas que transportam drogas em suas bagagens pessoais) até a manipulação de cargas em voos comerciais. Além disso, a tecnologia tem sido usada a favor dos criminosos, como o uso de drones para transporte de drogas. No dia 4 de abril, a Polícia Federal deflagrou uma Operação intitulada de "Iraúna", para combater o tráfico internacional de drogas por meio de troca de bagagens em aeroportos do país. Em São Paulo os policiais federais cumpriram 6 mandados judiciais de prisão temporária. Os investigados são funcionários de empresas terceirizadas que trabalham dentro do aeroporto para as companhias aéreas.
O grupo criminoso que enviou os entorpecentes para a Alemanha através da troca de bagagens das brasileiras foram presos. Segundo investigações preliminares a organização já agia a alguns anos e possivelmente as goianas não foram as primeiras vítimas do grupo. As investigações seguem em andamento para identificar todos os membros do grupo criminoso envolvidos, até mesmo a forma de agir, desde os despachos das drogas até quem as receberiam nos países de destino. Para combater essas quadrilhas, a Polícia Federal tem intensificado a fiscalização e fortalecido a atuação do Departamento de Polícia Federal nos aeroportos. Desde 2012, vem ocorrendo diversas operações visando combater o tráfico de drogas nos principais aeroportos brasileiros.
Uma força tarefa entre a PF, Receita Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de contar com o apoio das polícias estaduais e das Forças Armadas, vem efetuado fiscalizações que inclui a verificação de passaportes, bagagens e cargas, a análise de imagens de câmeras de segurança e o trabalho de cães farejadores. No entanto, as quadrilhas de drogas seguem agindo nos aeroportos, usando cada vez mais estratégias para tentar burlar a fiscalização e a segurança.



























